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Passalacqua: como é se hospedar em uma villa do século XVIII no Lago de Como

by Luisa Knorst Deotti - 14/08/2026

No alto de uma encosta em Moltrasio, na margem ocidental do Lago de Como, uma escadaria atravessa jardins de roseiras, oliveiras e árvores frutíferas antes de chegar a uma villa construída para uma família aristocrática italiana no século XVIII. Mais abaixo, um píer particular recebe barcos. Pelo caminho, mesas aparecem entre os jardins, ao lado de uma piscina e de uma horta que fornece parte dos ingredientes usados na cozinha.

É nesse cenário que fica o Passalacqua, propriedade histórica transformada em hotel em 2022. São apenas 24 acomodações distribuídas entre a Villa, o Palazz e a Casa al Lago, três construções com características próprias e uma relação particular com os jardins e o lago.

Foto: Passalacqua Hotel Lake Como

A história da propriedade remonta a 1787, quando o arquiteto Carlo Felice Soave projetou a residência para o conde Andrea Lucini-Passalacqua. Na época, villas como essa funcionavam como casas de verão, destinadas a longas temporadas longe da cidade e a receber convidados, artistas e intelectuais.

No século XIX, um desses hóspedes foi o compositor Vincenzo Bellini. Durante uma temporada na propriedade, em 1831, ele trabalhou em La Sonnambula, uma de suas óperas mais conhecidas.

A arte italiana de passar o verão sem pressa

Foto: Passalacqua Hotel Lake Como

A experiência do Passalacqua recupera algo da antiga villeggiatura italiana: o hábito de deixar a cidade durante os meses mais quentes para passar uma temporada em uma casa de campo. Para as famílias que possuíam villas no Lago de Como, isso significava mudar temporariamente de endereço e levar consigo uma rotina feita de refeições longas, encontros, música, passeios e tardes nos jardins.

Mais de dois séculos depois, essa lógica ainda ajuda a explicar o ritmo da propriedade. Os salões foram pensados para receber, os jardins escondem recantos para refeições e a cozinha ocupa papel central na casa. Caminhos atravessam os terraços e descem em direção ao lago.

O dia pode começar sem grandes planos: uma manhã na piscina, almoço nos jardins, algumas horas de barco pelo lago e, na volta, um jantar preparado com ingredientes colhidos na própria propriedade.

Fotos: Passalacqua Hotel Lake Como

As 24 acomodações estão distribuídas entre três construções. A Villa forma o núcleo histórico; o Palazz amplia o conjunto; e a Casa al Lago, como o nome sugere, fica mais próxima da água.

Nos interiores, móveis antigos convivem com tecidos, obras de arte e objetos escolhidos individualmente. Em vez de reproduzir uma mesma identidade visual em todos os quartos, a decoração preserva a sensação de estar em uma residência construída ao longo do tempo.

Entre roseiras, oliveiras e um túnel do século XVIII

O Passalacqua ocupa cerca de sete acres em uma encosta que termina junto ao lago. Seus jardins se distribuem em terraços, característica comum às grandes propriedades construídas às margens do Lago de Como.

Entre eles aparecem árvores frutíferas, oliveiras, videiras, flores e uma horta. Ervas, frutas e outros ingredientes cultivados ali são utilizados na cozinha, enquanto galinhas de criação livre também fazem parte da rotina da propriedade. Mais acima, a piscina é cercada por roseiras antigas.

Na margem, um píer particular transforma o barco em uma extensão natural da hospedagem. Bellagio, Varenna e Comoestão entre os destinos que podem entrar no percurso. Muito antes das estradas que hoje contornam as margens, a água já era uma das principais vias de circulação entre as cidades e villas da região.

Fotos: Passalacqua Hotel Lake Como

Sob os jardins, outra parte da história permanece escondida. Um túnel construído no século XVIII, originalmente ligado à conexão da propriedade com a área do lago, foi incorporado ao spa durante a transformação da villa em hotel. A estrutura subterrânea permanece visível e passou a fazer parte da experiência.

Na cozinha, a chef Viviana Varese trabalha com uma proposta ligada à atmosfera das antigas casas italianas de verão. Ingredientes cultivados na propriedade aparecem nas refeições, enquanto café da manhã, aperitivo e jantar ajudam a marcar o ritmo do dia. A programação inclui ainda aulas de culinária, com preparos de massas e outras receitas italianas.

O Lago de Como começa do lado de fora do portão

O Passalacqua está em Moltrasio, uma pequena localidade na margem ocidental do Lago de Como. Cercado por encostas íngremes e cidades construídas entre a água e as montanhas, o lago se tornou, ao longo dos séculos, endereço de villas erguidas por famílias italianas e estrangeiras.

Foto: Passalacqua Hotel Lake Como

Bellagio ocupa uma posição privilegiada na região central, próxima ao encontro dos braços do lago, e reúne ruas estreitas, escadarias e jardins históricos. Do lado oriental, Varenna preserva uma escala menor, com construções junto à água e caminhos que acompanham a margem.

A localização do Passalacqua permite combinar essas cidades em passeios pelo lago sem que seja necessário transformar a estadia em uma sequência de deslocamentos. Afinal, parte do apelo está justamente em permanecer na propriedade.

A família De Santis comprou o Passalacqua em 2018 e conduziu três anos de restauração antes da abertura do hotel, em junho de 2022.

Converter uma residência do século XVIII em hotel exigiu adaptar instalações e incorporar serviços que não faziam parte da casa original. O desafio estava em fazer isso sem apagar as características que atravessaram gerações.

Os jardins continuam descendo em terraços em direção à água. Móveis, tecidos e objetos preservam a atmosfera residencial. E o lago continua sendo acessado pelo mesmo terreno que, muito antes da chegada dos primeiros hóspedes do hotel, fazia parte da rotina de quem passava os verões na villa.

Talvez seja justamente essa continuidade que melhor explique o Passalacqua. Mais do que se hospedar em uma antiga residência aristocrática, a experiência propõe algo que há séculos leva viajantes ao Lago de Como: passar alguns dias à beira da água sem ter tanta pressa de ir embora.

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