Sabe aquela vontade de desligar o celular, fugir da correria e simplesmente parar um pouco?
O Silent Travel (ou turismo do silêncio) surge como a resposta, sendo uma tendência de viajar para lugares onde o silêncio e a natureza são os verdadeiros protagonistas. Essa tendência global ressignifica o luxo: não se trata de ostentação, mas da busca por privacidade absoluta, arquitetura contemplativa e o privilégio de ouvir apenas o som dos ventos nas montanhas e o barulho da água dos rios.
A poucas horas de Belo Horizonte, a Serra do Cipó e o vilarejo de Lapinha da Serra são o cenário ideal para essa pausa. Um refúgio cercado por montanhas, ar puro e aquele ritmo mais calmo que o interior de Minas Gerais consegue entregar.
Serra do Cipó ou Lapinha da Serra: onde ficar?

Serra do Espinhaço, considerada a única cordilheira do Brasil / Foto: Ana Lara Ventura Verona
Antes de escolher a hospedagem, vale entender a geografia da região. Santana do Riacho é o município que engloba diferentes distritos e povoados, entre eles dois dos destinos mais procurados por viajantes: Serra do Cipó e Lapinha da Serra.
A Serra do Cipó concentra uma estrutura turística maior, com restaurantes, comércio, postos de combustível e diferentes opções de hospedagem. Também funciona como base para acessar algumas das cachoeiras mais conhecidas da região e o Parque Nacional da Serra do Cipó.
Já Lapinha da Serra, a cerca de 40 quilômetros dali, preserva uma atmosfera mais isolada. O trecho final do acesso é feito por estrada de terra e, ao chegar, ruas sem asfalto, montanhas e uma grande represa passam a dominar a paisagem. A conexão de celular pode ser limitada, algo que por aqui deixa de ser problema para virar parte da proposta.
Refúgios com design e exclusividade
1. Capim do Mato Pousada & Spa by L’Occitane: um bangalô entre a mata e as montanhas

Bangalô de luxo / Foto: Capim do Mato
Na Serra do Cipó, a Capim do Mato Pousada & Spa by L’Occitane aposta em bangalôs integrados à vegetação e voltados para as montanhas. A distância entre as acomodações ajuda a preservar a privacidade, enquanto grandes aberturas mantêm a paisagem presente mesmo dentro dos quartos.
O spa complementa a proposta com tratamentos e rituais desenvolvidos em parceria com a L’Occitane, fazendo do bem-estar uma das principais experiências da hospedagem.
2. Euetu: quatro refúgios de frente para a serra

Vista da Pousada Eu&Tu na Lapinha / Foto: Ana Lara Ventura Verona
Com apenas quatro acomodações voltadas para a serra, a Euetu trabalha em uma escala intimista. Madeira, pedra e elementos rústicos aparecem nos interiores, enquanto a paisagem ocupa boa parte das janelas.
As acomodações contam com banheiras de hidromassagem e redes, e a área externa reúne piscina aquecida, sauna e hidro ao ar livre.
Até o café da manhã acompanha o ritmo mais reservado da hospedagem: em vez de um salão compartilhado, uma cesta com os itens da manhã é entregue à porta da acomodação.
3. Casa do Teuler: quando a paisagem se entrelaça com a arquitetura
Acomodação Canela de Ema / Foto: Casa do Teuler
Uma joia arquitetônica na Lapinha da Serra que celebra a integração entre natureza e conforto.
Projetada para quem busca o máximo do silêncio, suas vilas combinam acabamentos nobres em madeira e pedra, com amplas aberturas de vidro, fazendo da paisagem rochosa a própria decoração do ambiente.
Gastronomia autoral no pós-trilha
1. A Forneria por Rafael Transpa

Pizza da “Forneria por Rafael Transpa” / Foto: Ana Lara Ventura Verona
Madeira, forno a lenha e pizzas de massa fina definem a atmosfera da Forneria por Rafael Transpa. A cozinha aberta permite acompanhar a montagem das pizzas antes de elas seguirem para o forno.
As massas são preparadas com fermentação natural, e o cardápio transita entre sabores tradicionais italianos e combinações com ingredientes regionais. Para acompanhar, uma das opções é a cerveja artesanal local Krug Beer Serra do Cipó.
2. Casulo Risoteria e Gelateria Artesanal

Mineirinho, Dona Zélia e Serenô da Madrugada / Fotos: Ana Lara Ventura Verona
Na Lapinha, a Casulo Risoteria e Gelateria Artesanal encontra na própria região parte da inspiração para o cardápio. Sob o comando da chef Marina Leite, a casa prepara risotos com arroz vermelho cultivado no povoado e ingredientes associados à cozinha mineira.
Entre as entradas está o arancini de costela de porco caipira com geleia de cebola roxa. Nos principais, o Mineirinhocombina linguiça caseira e ora-pro-nóbis, enquanto o Serenô da Madrugada leva carne serenada e requeijão de raspa.
Para terminar, a casa produz gelatos artesanais com leite fresco de ovelha e ingredientes do Cerrado.
3. Filomena Bistrô na Serra do Cipó

Foto: Filomena Bistrô
Na Serra do Cipó, o Filomena Bistrô parte de sabores familiares da cozinha mineira para construir pratos com uma abordagem contemporânea. O salão intimista e iluminado por velas cria uma atmosfera especialmente agradável para o jantar, acompanhado pela carta de vinhos da casa.
Cachoeiras para trocar notificações pelo som da água
Aos pés da Serra do Espinhaço, Lapinha da Serra conserva ruas de terra, construções de pequena escala e uma represa emoldurada pelas montanhas. As trilhas começam praticamente dentro do povoado e ajudam a estabelecer o ritmo dos dias.
Na Serra do Cipó, as possibilidades se multiplicam entre rios, paredões e cachoeiras com diferentes níveis de acesso. Para uma viagem guiada pela ideia do Silent Travel, três delas entram bem no roteiro.
Cachoeira do Lajeado, a 11 quilômetros de onde o silêncio mora

Paisagem na trilha para a Cachoeira do Lajeado em Lapinha da Serra – MG / Foto: Ana Lara Ventura Verona
São cerca de 11,5 quilômetros de percurso total, em uma caminhada acompanhada pelos paredões rochosos, pela vegetação e pelo canto dos pássaros.
Depois da trilha, a Cachoeira do Lajeado surge com um poço de águas escuras, onde o banho funciona quase como uma recompensa pelo caminho percorrido. Aqui, mais do que chegar rapidamente ao destino, a graça está também nas horas passadas até ele.
Cachoeira Serra Morena, na Serra do Cipó

Cachoeira Serra Morena na Serra do Cipó – MG / Foto: Ana Lara Ventura Verona
Na Serra do Cipó, a Cachoeira Serra Morena reúne duas quedas d’água acessadas por trilhas relativamente curtas.
A primeira chama atenção pelo volume da água e cria um daqueles cenários em que não é necessário inventar muito o que fazer: encontrar uma pedra seca, sentar e ficar alguns minutos observando a queda já faz parte do passeio.
Cachoeira Grande, o clássico da Serra do Cipó

Cachoeira Grande, um dos cartões postais da Serra do Cipó / Foto: Ana Lara Ventura Verona
Um dos cartões-postais da região, a Cachoeira Grande tem acesso por uma caminhada predominantemente plana, acompanhando trechos do rio.
Sua principal queda forma uma extensa cortina d’água sobre a rocha, enquanto outros pontos ao longo do percurso permitem parar para banho antes mesmo de chegar ao cenário principal.
É um dos passeios mais conhecidos da Serra do Cipó, mas ainda resume bem aquilo que leva tanta gente até essa parte de Minas Gerais: passar algumas horas entre água, pedra e vegetação sem precisar preencher cada minuto com alguma coisa.











