Fazer as malas já não é apenas sobre procurar um lugar para descansar, visto que a hotelaria brasileira percebeu a necessidade de unir o lazer à responsabilidade ambiental. Mais do que apenas diminuir os impactos da própria operação, o setor agora aposta em vivências que ajudam a conscientizar o hóspede sobre consumo, preservação e respeito à cultura local.
Os números ilustram bem essa mudança de comportamento, já que dados globais revelam que 83% dos viajantes consideram importante escolher rotas sustentáveis e buscam lugares que tenham práticas sociais responsáveis. Hoje, na hora de fechar a reserva, o turista também leva em conta o legado positivo que a sua estadia vai deixar para a região.
Taiza Krueder, CEO do Clara Resorts, acompanha essa transição de perto. Para a empresária, o hotel deixou de ser apenas um cenário de férias e assumiu um papel importante na formação de novos hábitos.

Taiza Krueder, CEO do Clara Resorts/ Foto: Divulgação Clara Resorts
A natureza como sala de aula
Sair da rotina abre portas para aprender na prática, e mergulhar em atividades longe do agito da cidade muda rapidamente a forma como as novas gerações enxergam o consumo.
“Quando uma criança colhe o alimento na horta, conhece sua origem e, depois, o encontra no prato, a relação com o desperdício muda. É um aprendizado natural que continua após o fim da viagem”, observa Taiza. O contato direto com produtores regionais e as atividades ao ar livre transformam o assunto sustentabilidade em algo real e palpável, saindo da teoria e entrando nas escolhas do dia a dia.
Sustentabilidade fora do papel
A nova hospitalidade exige transparência e verdade, fazendo com que a redução do desperdício de alimentos, o cuidado com o lixo e a valorização da biodiversidade não fiquem mais escondidos nos processos internos dos resorts. Tudo isso passou a fazer parte da experiência do hóspede.
Esse movimento segue a visão da Organização Mundial do Turismo (OMT), que defende o equilíbrio entre economia, cultura e meio ambiente. O consumidor atual avalia essas questões de perto, reparando se o local gasta muita energia e até como o hotel trata a comunidade vizinha. “O hóspede exige coerência. Ele quer entender como os recursos são usados e qual herança positiva sua viagem deixa no lugar, pois a sustentabilidade virou uma percepção de valor“, explica a executiva.

Lazer e convivência em família/ Foto: Divulgação Clara Resorts
Lazer e legado na mesma bagagem
O tempo livre ganhou um novo significado nas viagens em família. Descansar continua sendo o principal motivo, claro, mas agora divide espaço com a criação de memórias com propósito, momento em que pais e avós buscam integrar as crianças ao respeito aos ciclos da natureza de um jeito leve e divertido.
Para Taiza, o grande trunfo da hotelaria é trabalhar com a emoção e as lembranças. “A hospitalidade inspira porque lida com experiências reais. Quando alguém vivencia de perto a preservação ambiental e a valorização da cultura local, absorve a mensagem de um jeito muito mais profundo do que em qualquer campanha de conscientização“. A viagem, no fim das contas, deixa de ser apenas sobre o destino visitado e passa a ser sobre as atitudes que levamos na bagagem de volta.










