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Expedição pela natureza da Malásia: florestas milenares e cavernas gigantes

by Luisa Knorst Deotti - 15/07/2026

Muito além das praias e dos centros urbanos, a Malásia reúne alguns dos mais importantes destinos de natureza do Sudeste Asiático. Entre a península malaia e a ilha de Bornéu, parques nacionais protegem florestas tropicais antigas, montanhas, manguezais e um dos maiores sistemas de cavernas já mapeados no mundo.

Em uma mesma viagem, é possível percorrer trilhas em florestas com cerca de 130 milhões de anos, caminhar por passarelas suspensas sobre o dossel, explorar cavernas de dimensões monumentais e navegar por manguezais que abrigam aves, primatas e outras espécies adaptadas a esse ecossistema.

Cada região oferece uma forma diferente de conhecer a natureza malaia. Enquanto Taman Negara preserva uma das florestas tropicais mais antigas do planeta, a ilha de Bornéu concentra alguns dos maiores símbolos da biodiversidade do país. Já Langkawi e Penang mostram que não é preciso enfrentar longas expedições para encontrar áreas preservadas, combinando trilhas, manguezais e reservas naturais com infraestrutura turística e centros urbanos.

Taman Negara: floresta mais antiga que a Amazônia

Foto: Unsplash

Poucos lugares no mundo permitem caminhar por uma floresta tropical que atravessou dezenas de milhões de anos praticamente sem interrupções. Estimativas geológicas indicam que o parque Taman Negara possui cerca de 130 milhões de anos, tornando-o uma das florestas tropicais contínuas mais antigas ainda preservadas.

As trilhas atravessam árvores centenárias, rios de correnteza lenta e cachoeiras acessíveis apenas após longas caminhadas. Um dos percursos mais procurados leva às passarelas suspensas entre as copas das árvores, instaladas na altura do dossel florestal. A estrutura oferece uma perspectiva normalmente restrita a pesquisadores e permite observar diferentes tipos de vegetação.

Quando anoitece, as caminhadas guiadas e os passeios de barco aumentam as chances de encontrar macacos, aves e outros animais de hábitos noturnos que dificilmente aparecem durante o dia.

Bornéu: uma das maiores biodiversidades do mundo

Foto: Unsplash

A porção malaia da ilha de Bornéu é dividida entre os estados de Sabah e Sarawak. Juntos, eles concentram uma das maiores diversidades biológicas do planeta e alguns dos parques nacionais mais importantes do Sudeste Asiático.

Em Sabah, o Kinabalu Park, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco, protege milhares de espécies de plantas e serve como principal porta de entrada para o Monte Kinabalu, um dos picos mais altos da região. A variedade de altitudes faz com que a vegetação mude constantemente ao longo da subida. Em Bornéu, parte da experiência inclui hospedagens inseridas na floresta, de onde partem expedições conduzidas por especialistas.

Mais ao interior, o Maliau Basin permanece relativamente isolado por sua formação geográfica em formato de bacia cercada por montanhas. Conhecido como o “mundo perdido de Sabah”, o local recebe principalmente viajantes interessados em expedições de vários dias. Já o Crocker Range National Park reúne trilhas que percorrem montanhas, rios e florestas pouco alteradas pela ocupação humana.

Gunung Mulu: um dos maiores sistemas de cavernas do planeta

Foto: Visit Malaysia

Em Sarawak, o Gunung Mulu National Park é reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco e abriga um dos sistemas de cavernas mais extensos e estudados do mundo em ambiente de floresta tropical.

É ali que está a Sarawak Chamber, cuja dimensão desafia qualquer comparação convencional. Também fazem parte do parque a Deer Cave e a Clearwater Cave, enormes rios subterrâneos e formações calcárias que continuam sendo estudados quanto à sua origem, evolução, ecologia e mapeamento.

Na superfície, os Pinnacles, no Monte Api, surgem como agulhas de calcário que ultrapassam a vegetação, enquanto a Mulu Canopy Walk conduz os visitantes por uma passarela suspensa de 480 metros de extensão, cerca de 25 metros acima do solo.

Uma das experiências mais marcantes acontece no fim da tarde. Milhões de morcegos deixam diariamente as cavernas em um fluxo que forma espirais no céu antes de seguirem para a floresta em busca de alimento.

Langkawi: manguezais e vida selvagem

Foto: Unsplash

Nem toda experiência de natureza na Malásia exige grandes caminhadas. Em Langkawi, um arquipélago de quase 100 ilhas, os manguezais são explorados principalmente por barco, permitindo observar um ecossistema fundamental para o equilíbrio da vida marinha e costeira.

Durante o percurso, é comum avistar águias-brâmanes, macacos, caranguejos-violinistas e diversas espécies de peixes e aves que dependem desse ambiente para reprodução e alimentação.

Por exigir menor esforço físico, Langkawi costuma atrair viajantes que desejam contato com a natureza sem enfrentar longas expedições em selva.

Penang: floresta a poucos minutos da vida urbana

Foto: Unsplash

Conhecida internacionalmente pela gastronomia e pelo centro histórico de George Town, Penang também possui áreas de mata preservada que contrastam com a intensa vida urbana da ilha.

Parques naturais e trilhas ficam a poucos minutos das regiões mais movimentadas, permitindo combinar patrimônio histórico, culinária e caminhadas em floresta tropical. É uma proposta pouco comum no Sudeste Asiático, onde natureza e cidade costumam estar separadas por deslocamentos mais longos.

Como chegar

Foto: Visit Malaysia

A principal porta de entrada é Kuala Lumpur. Saindo do Brasil, o trajeto normalmente leva entre 24 e 35 horas, dependendo das conexões.

As rotas mais frequentes passam pelo Oriente Médio, como Dubai, Doha e Istambul, além de conexões na Europa, principalmente por Londres, Amsterdã e Frankfurt. Também existem opções pela Etiópia, além de itinerários que conectam cidades da América do Norte a aeroportos asiáticos, como Tóquio e Seul, antes da chegada à capital da Malásia.

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