Enquanto Bali recebe milhões de visitantes todos os anos, basta uma hora de voo para chegar a um cenário completamente diferente. Na ilha de Sumba, no leste da Indonésia, o NIHI ocupa uma floresta praticamente intocada e reúne apenas 27 vilas distribuídas diante de uma praia privativa.
Muito antes de figurar entre os hotéis mais premiados do mundo, o lugar era conhecido apenas por surfistas. Em 1988, Claude e Petra Graves chegaram à praia de Nihiwatu (“pedra de pilão”, em referência à formação rochosa que marca a costa) em busca da onda perfeita. O que começou como uma temporada dedicada ao surfe rapidamente se transformou em um projeto de preservação. Fascinados pela paisagem e pelo modo de vida local, decidiram criar um refúgio que permitisse compartilhar aquele cenário sem comprometer sua autenticidade. Assim nasceu o Nihiwatu original.

Foto: NIHI Sumba
A transformação em uma referência mundial da hotelaria de luxo aconteceu em 2012, quando o empresário americano Christopher Burch, fundador da Burch Creative Capital, conheceu a propriedade e convidou o hoteleiro sul-africano James McBride, então à frente da YTL Hotels, em Singapura, para visitar Sumba. A dupla adquiriu o empreendimento naquele mesmo ano e iniciou uma ampla reformulação baseada em três pilares: hospitalidade de alto padrão, preservação ambiental e retorno direto às comunidades da ilha.
O investimento colocou Sumba no mapa da hotelaria internacional. O NIHI foi eleito o melhor hotel do mundo pelos leitores da Travel + Leisure em 2016 e 2017. Depois vieram outros reconhecimentos importantes, como o título de melhor hotel da Indonésia pela Condé Nast Traveler em 2024, a 10ª posição na lista The World’s 50 Best Hotels, três MICHELIN Keys e a inclusão na primeira edição da The Edge List, da Forbes Travel Guide, em 2025.
Os cavalos são símbolo de NIHI

Foto: NIHI Sumba
O diferencial do NIHI está na maneira como a experiência foi construída em torno da própria ilha, sem tentar transformá-la em um destino convencional.
Todas as manhãs, antes mesmo de a praia receber os primeiros visitantes, os cavalos Sandalwood, raça nativa de Sumba, atravessam livremente os 2,5 quilômetros de areia diante da propriedade. A cena se tornou uma das imagens mais conhecidas do hotel e resume sua proposta.
Entre as experiências oferecidas aos hóspedes, as cavalgadas percorrem trilhas entre arrozais, aldeias tradicionais e trechos da costa, enquanto uma das atividades mais procuradas permite nadar ao lado dos cavalos no mar. Mais recentemente, a propriedade inaugurou o Riding & Racquet Club, conceito que reúne centro equestre e quadras de tênis com vista para o oceano Índico, inspirado na atmosfera dos tradicionais clubes de polo.
Bem-estar em estado selvagem

Foto: NIHI Sumba
O bem-estar também segue uma lógica diferente da encontrada na maioria dos resorts de luxo. Em vez de concentrar os tratamentos em um edifício, o NIHI criou o conceito de Wild Wellness, cuja principal experiência é o Spa Safari.
O percurso até o Vale de Nihioka faz parte do próprio ritual. Os hóspedes podem chegar caminhando pela costa, a cavalo, de bicicleta ou em um veículo aberto que percorre a paisagem da ilha. No destino, um café da manhã servido sobre uma plataforma suspensa diante do mar antecede os tratamentos realizados em bales privativos, utilizando ingredientes naturais produzidos na própria região. A experiência pode durar algumas horas, um dia inteiro ou incluir uma noite na Villa Rahasia, uma acomodação isolada reservada para quem busca o máximo de privacidade.
Sabores que nascem da ilha

Foto: NIHI Sumba
Na gastronomia, a proposta permanece conectada ao território. O Ombak, restaurante principal, serve café da manhã e jantar à la carte em um deck de madeira voltado para o oceano, com cardápios que acompanham a sazonalidade e valorizam ingredientes cultivados na horta orgânica da propriedade, além de pescados e produtos fornecidos por produtores locais. Ao longo da semana, a programação inclui jantares temáticos no Nio Beach Club, experiências comunitárias que destacam o trabalho desenvolvido na ilha e menus especiais preparados ao ar livre.
Para quem procura outro estilo de cozinha, o Kaboku oferece uma experiência omakase diante do mar, enquanto o Boathouse Bar preserva o ambiente descontraído que remete às origens surfistas do empreendimento.
Legado que vai além da hospedagem

Foto: NIHI Sumba
Por meio da Sumba Foundation, criada por Christopher Burch, parte dos recursos gerados pelo hotel financia projetos voltados ao acesso à água potável, saúde, educação e combate à malária nas comunidades vizinhas. O compromisso com o impacto social e ambiental também levou o NIHI a conquistar a certificação B Corporation, reforçando um modelo de turismo que busca beneficiar diretamente a população local.
Essa filosofia está presente inclusive na arquitetura. As vilas foram inspiradas nas construções tradicionais sumbanesas, utilizando materiais naturais e privilegiando a integração com a paisagem. Em vez de impor uma estética internacional, o projeto procura dialogar com a cultura da ilha e preservar a sensação de isolamento que tornou Nihiwatu conhecida décadas atrás.

Foto: NIHI Sumba
Para chegar ao NIHI, o acesso acontece exclusivamente por Sumba. A partir do Aeroporto Internacional Ngurah Rai (DPS), em Bali, voos diários seguem para o Aeroporto de Tambolaka (TMC), de onde a propriedade organiza o traslado terrestre até o hotel.
Em um momento em que muitos hotéis de luxo competem pelo excesso, o NIHI segue na direção oposta. A experiência é construída a partir do espaço, do silêncio e da relação com a ilha, que ainda preserva tradições, paisagens e ritmos pouco alterados pelo turismo internacional. Talvez seja justamente essa raridade que explique por que um lugar tão distante continua figurando entre os hotéis mais admirados do mundo.










