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Renata Carvalho, diretora comercial da Realgems, fala sobre o pertencimento como diferencial na hotelaria

by Maria Clara Rezende - 30/07/2026

Escolher um hotel envolve mais do que comparar localização, tamanho do quarto e serviços incluídos na diária. A forma como o espaço recebe, acolhe e se comunica também passou a pesar na experiência, principalmente entre viajantes que procuram hospedagens com identidade.

Para Renata Carvalho de Oliveira, diretora comercial da Realgems Cosméticos & Amenities, o sentimento de pertencimento ganhou força nesse cenário. O hóspede não quer apenas ocupar um quarto durante alguns dias, ele deseja perceber que existe intenção no ambiente, nas escolhas e na maneira como é recebido.

“Mais do que se hospedar, ele quer sentir que faz parte daquele ambiente”, afirma Renata. Na prática, isso significa encontrar uma experiência menos padronizada e mais atenta ao perfil de quem chega.

Renata Carvalho de Oliveira, diretora comercial da Realgems/ Foto: Grupo Excom

O conforto deixou de ser o único parâmetro

Estrutura, limpeza e atendimento continuam sendo pontos básicos de uma boa hospedagem. A diferença está no que acontece ao redor deles: uma comunicação cuidadosa antes da chegada, a atenção às preferências já informadas, os produtos disponíveis no quarto e a forma como a equipe conduz o contato ajudam a definir a percepção sobre o hotel.

Segundo Renata, o hóspede passou a observar se existe coerência entre a proposta apresentada na reserva e aquilo que encontra durante a estadia. Quando o empreendimento comunica proximidade, mas oferece um atendimento impessoal, a experiência perde força. O pertencimento começa justamente nessa relação entre a expectativa e a entrega, e não depende de uma grande surpresa, mas da sensação de que aquele espaço não foi preparado de maneira automática.

Os detalhes também apresentam a identidade do hotel

Fragrâncias, amenities e produtos de banho ocupam uma parte discreta da hospedagem, mas ajudam a construir a memória do lugar. Para Renata, esses elementos podem reforçar a personalidade do empreendimento quando seguem a mesma linguagem da arquitetura, do serviço e do destino.

Uma pousada próxima à natureza pode trabalhar com aromas, ingredientes e materiais ligados ao território, um hotel urbano pode optar por soluções mais funcionais e contemporâneas. Em ambos os casos, a escolha precisa fazer sentido dentro da experiência.

Não se trata de aumentar a quantidade de itens no quarto, o valor está na coerência. Um produto sofisticado, quando desconectado do restante da estadia, dificilmente cria vínculo por conta própria.

Amenities ajudam a compor a identidade da hospedagem/ Foto: Divulgação

Personalizar não significa exagerar

.A tecnologia ampliou a capacidade dos hotéis de conhecer preferências e antecipar algumas necessidades. Informações como horários de chegada, pedidos feitos em hospedagens anteriores e restrições alimentares podem orientar a preparação do atendimento. Renata considera esse apoio importante, mas ressalta que a tecnologia não substitui a relação humana. Seu papel é facilitar processos e permitir respostas mais precisas, sem transformar a hospedagem em uma sequência de interações automáticas.

Um check-in digital pode reduzir a espera, um sistema pode registrar uma preferência e ainda assim, é a equipe que percebe quando um hóspede chega cansado, precisa de mais privacidade ou procura ajuda para organizar os próximos dias da viagem. A personalização funciona melhor quando aparece de forma natural e em muitos casos, ela está em evitar que o cliente repita uma solicitação ou em oferecer uma solução antes que um pequeno problema interfira na estadia.

O pertencimento também passa pelo destino

Sentir-se parte do lugar não significa encontrar uma reprodução de casa; a identidade local continua sendo uma das razões para viajar. Hotéis, pousadas e imóveis de aluguel por temporada podem criar essa aproximação ao apresentar o território por meio da gastronomia, dos materiais usados nos ambientes, do trabalho de produtores locais e das recomendações compartilhadas com os hóspedes.

Hotel integrado à paisagem natural/ Foto: Divulgação

No aluguel por temporada, em que nem sempre há uma equipe presente, esse cuidado aparece na preparação do imóvel, na clareza das orientações e nas informações sobre a vizinhança. Na hotelaria tradicional, o contato com os profissionais continua sendo uma parte central da experiência. Os formatos mudam, mas a expectativa é semelhante: encontrar um espaço que tenha personalidade sem fazer o visitante se sentir deslocado.

A lembrança que fica depois da hospedagem

A categoria do quarto, a metragem e parte dos serviços podem desaparecer da memória com o tempo, mas a sensação de ter sido bem recebido costuma permanecer. É por isso que Renata relaciona pertencimento e fidelidade: quando o hóspede se identifica com a proposta do empreendimento e percebe cuidado ao longo da estadia, aumentam as chances de retorno e recomendação.

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