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29/10/2026

    Casa da Bocaina combina natureza, arte e experiências de bem-estar na Serra da Bocaina

    by Fernanda Antônia - 29/10/2026

    Entre São Paulo e Rio de Janeiro, cercada pelas montanhas e pela vegetação nativa da Serra da Bocaina, a Casa da Bocaina propõe uma experiência de hospedagem em que natureza, privacidade e arquitetura se encontram. Distribuída por uma propriedade de 37 alqueires, a cerca de 1.600 metros de altitude, reúne casas independentes, obras de arte, espaços de contemplação e experiências voltadas ao bem-estar. Entre elas está o Acquabox, uma cápsula de imersão aquática que combina design e tecnologia para proporcionar momentos de relaxamento.

    A propriedade é resultado de um projeto pessoal da empresária e ex-modelo Betty Prado, que adquiriu o terreno aos 23 anos, quando a área ainda era predominantemente ocupada por pastagens. Ao longo de três décadas, o espaço passou por um processo de reflorestamento e ganhou construções que dialogam com a paisagem montanhosa, preservando a relação entre os ambientes internos e a natureza.

    Acquabox, experiência sensorial desenvolvida pelo multiartista Maurizio Mancioli, na Casa da Bocaina/ Foto: Divulgação

    Conhecida por sua carreira internacional na moda durante as décadas de 1980 e 1990, Betty viveu por 16 anos no exterior antes de retornar ao Brasil. Sua trajetória também passou pelo cinema, com participações em produções de Walter Salles e Walter Hugo Khoury, e pela direção criativa de projetos para marcas como Natura e Phytoervas. O interesse pela arquitetura a levou à Escola da Cidade, onde cursou três anos de Arquitetura e Urbanismo, experiência que influenciou diretamente a concepção das casas.

    Na Serra da Bocaina, esse repertório ganhou forma por meio de uma arquitetura que valoriza materiais naturais, técnicas construtivas locais e a integração com o entorno. Pedra rolada, cimento queimado, madeira e grandes superfícies de vidro aparecem nas diferentes construções, criando ambientes amplos e iluminados. O projeto também levou em consideração as particularidades do clima e da altitude, além dos conhecimentos compartilhados por moradores da região.

    O cenário é marcado pela proximidade com o Parque Nacional da Serra da Bocaina, unidade de conservação criada em 1971, que abriga uma expressiva biodiversidade da Mata Atlântica. A região integra o território reconhecido pela Unesco, em 2019, como Patrimônio Mundial na categoria de sítio misto, por seus valores naturais e culturais.

    Uma hospedagem com atmosfera de casa

    Betty Prado, idealizadora da Casa da Bocaina, e sua companheira Thamy Silva/ Foto: Ruy Teixeira

    Embora hoje receba viajantes interessados em experiências de natureza e bem-estar, a Casa da Bocaina não foi originalmente concebida como um empreendimento de hospedagem. A proposta surgiu gradualmente, a partir do hábito de Betty de receber amigos e convidados, preservando uma dinâmica mais próxima à de uma residência particular do que à de um hotel convencional.

    Atualmente, o conjunto reúne diferentes espaços, com características arquitetônicas e propostas próprias. A Casa Arco-Íris, com 140 m², dispõe de três suítes, sendo uma delas localizada ao pé da montanha, com deck privativo. Os ambientes incluem sala de estar, sala de jantar, lareira e cozinha equipada com fogão a lenha e cooktop.

    Já a Casa Caipira, com 120 m² e duas suítes, é uma das construções mais recentes da propriedade. Concebida por Betty em colaboração com estudantes de Arquitetura, reúne mobiliário, objetos e obras de arte de diferentes procedências. Parte da decoração foi adquirida em viagens internacionais, enquanto outras peças vieram de antiquários e da tradicional Feira de Antiguidades do Bixiga, em São Paulo.

    A Casa Cristal, com 110 m², funciona como residência de Betty e de sua companheira, Thamy Silva, enquanto a Colmeia, de 48 m², abriga um ateliê criativo aberto a atividades artísticas. O espaço também pode receber hóspedes e artistas e, quando não está ocupado, ser utilizado para experiências gastronômicas. A propriedade conta ainda com o Chalé da Pedra e oferece a possibilidade de reservar o conjunto para celebrações intimistas, retiros e encontros de pequeno porte.

    As acomodações dispõem de cozinhas equipadas com fogão a lenha, cooktop e geladeira. Serviços de culinária, organização e limpeza podem ser solicitados antecipadamente, no momento da reserva. A Casa da Bocaina também recebe animais de estimação, que compartilham o espaço com os cães e gatos residentes da propriedade.

    Experiências entre montanhas, água e silêncio

    Casa da Bocaina vista de cima/ Foto: Ruy Teixeira

    A relação com a natureza se estende às experiências oferecidas aos hóspedes. No deck principal, uma piscina de pedra abastecida por água corrente de nascente se abre para a paisagem montanhosa, com vista para o nascer do sol sobre o Parque Nacional da Serra da Bocaina. Ao lado, uma sauna semiúmida permite contemplar a vegetação durante os momentos de descanso.

    Uma trilha de aproximadamente 15 minutos conduz à Cachoeira das Meninas, queda-d’água privativa que integra a propriedade. O nome faz referência à maneira carinhosa como moradores da região se referem ao espaço, também conhecido como Casa das Meninas.

    Desde setembro de 2025, uma das principais novidades é o Acquabox, experiência sensorial desenvolvida pelo multiartista ítalo-suíço Maurizio Mancioli. A estrutura consiste em uma cápsula cilíndrica preenchida com água morna e cristalina, na qual o visitante pode flutuar em uma experiência de imersão voltada ao relaxamento.

    A proposta combina elementos de design, tecnologia e bem-estar, explorando a sensação de leveza proporcionada pela flutuação. A experiência se soma a outras atividades disponíveis na propriedade, como cavalgadas, oficinas de cerâmica, aulas de arquearia meditativa, massagens e degustações de queijos.

    Arte e design integrados à arquitetura

    Betty Prado e Thamy Silva ao lado da Acquabox, experiência exclusiva na Casa da Bocaina/ Foto: Jurandy Valenca

    Além da paisagem natural, a Casa da Bocaina reúne um acervo artístico construído ao longo dos anos, em grande parte a partir das relações pessoais e profissionais de Betty Prado. As obras não seguem uma proposta expositiva tradicional, mas aparecem integradas aos ambientes, compondo a identidade de cada construção.

    Logo na entrada, uma instalação de Felipe Morozini recebe os visitantes. Nas diferentes casas, encontram-se trabalhos de Jurandy Valença, Rafa Silvares, Hildebrando de Castro e Filipe Jardim, além de fotografias de Helmut Newton e Rochelle Costi. Peças dos irmãos Campana e mantas de Ceyla Lacerda também fazem parte da composição dos espaços.

    “As peças foram ocupando seus espaços como se tivessem sido convocadas para isso, mas, na verdade, a dinâmica se estabeleceu organicamente, como se fosse uma extensão da nossa casa”, comenta Betty.

    A decoração reflete ainda o interesse da empresária por objetos de diferentes origens e períodos. Móveis antigos, peças artesanais e elementos contemporâneos convivem nos interiores, estabelecendo uma estética que combina referências internacionais com materiais e saberes brasileiros.

    Sustentabilidade e conexão com a comunidade

    Há cerca de dez anos, Thamy Silva passou a atuar ao lado de Betty na condução da Casa da Bocaina. Enquanto Betty se dedica principalmente aos projetos criativos, à arquitetura e à decoração, Thamy está à frente das iniciativas de sustentabilidade e da gestão dos serviços oferecidos aos hóspedes.

    Seu trabalho envolve parcerias com agricultores familiares, incentivo à produção de alimentos orgânicos, manutenção da vegetação nativa e projetos de educação socioambiental. A proposta é aproximar a experiência de hospedagem das práticas e dos conhecimentos da comunidade local.

    “A pandemia reforçou a essência da Casa da Bocaina para acolher pessoas que buscam por um lugar de privacidade e sutilezas, de forma que permitisse uma reconexão consigo e com a natureza”, afirma Thamy.

    Essa abordagem também se reflete na maneira como a propriedade recebe seus visitantes. Segundo Betty, aproximadamente 98% dos hóspedes chegaram até a Casa da Bocaina por indicação de amigos, um movimento que contribuiu para consolidar sua proposta de hospitalidade intimista.

    “Eu e Thamy temos uma relação de arrebatamento. Esse lugar nos causa um impacto diário, e é prazeroso ver que esse sentimento estende-se para quem fica conosco e para a comunidade do entorno”, afirma Betty.

    A aproximadamente 234 quilômetros de São Paulo e 244 quilômetros do Rio de Janeiro, a Casa da Bocaina oferece uma alternativa de hospedagem para quem deseja explorar a região serrana em um ritmo mais tranquilo. Entre trilhas, experiências artísticas, atividades de bem-estar e momentos de contemplação, a propriedade preserva a proposta que orientou sua transformação ao longo das últimas décadas: fazer da paisagem natural o elemento central da experiência.

    Informações sobre hospedagem, experiências e reservas estão disponíveis no site oficial da Casa da Bocaina e no Instagram @casadabocaina.