Em uma lancha, estar perto da água sempre fez parte da experiência. A diferença é que, nos projetos mais recentes de embarcações de lazer, essa relação ganhou espaço, literalmente.
Conhecido internacionalmente como ocean lounge, o conceito transforma a área da popa em um dos principais ambientes de convivência a bordo. Plataformas laterais retráteis, decks ampliados e espaços destinados ao descanso e às refeições criam uma espécie de extensão da embarcação sobre o mar.
Se durante muito tempo desempenho, tamanho e velocidade estiveram entre os principais atributos de uma lancha, os projetos atuais também passaram a olhar para o que acontece quando o destino deixa de ser a prioridade: o tempo a bordo, a convivência e o contato com a natureza.
Uma nova relação com o mar

Interior do Ocean Lounge/ Foto: Divulgação
A popa ganhou protagonismo justamente por ser a parte da embarcação mais próxima da água. Com soluções que permitem ampliar temporariamente essa área, o espaço pode assumir diferentes funções ao longo do dia, de uma pausa para mergulho a uma refeição ou algumas horas de descanso.
O objetivo não é necessariamente aumentar o tamanho do barco, mas aproveitar melhor a área disponível. Ao abrir as laterais e integrar os ambientes, os projetos ampliam a superfície destinada à circulação e à convivência sem alterar as dimensões da embarcação durante a navegação.
Na prática, é como ganhar um novo ambiente quando a lancha está parada, e justamente aquele que estabelece a conexão mais direta com o mar.
Do desempenho à experiência

Coleção Assinnatta da Fishing Raptor / Foto: Divulgação
A evolução do ocean lounge também acompanha uma transformação na arquitetura náutica. Em embarcações premium, cada área passou a ser pensada não apenas pela função que desempenha, mas pela forma como será vivida.
É nesse contexto que fabricantes brasileiros começam a incorporar soluções já presentes em projetos internacionais. A Fishing Raptor, fabricante catarinense de lanchas de lazer e esportes náuticos, apresenta em 2026 a coleção Assinnatta, formada inicialmente por três modelos entre 37 e 51 pés.
A linha combina a proposta de desempenho da fabricante com maior atenção à habitabilidade e aos espaços de convivência. Duas das embarcações serão apresentadas ao público durante o São Paulo Boat Show, entre 24 e 29 de setembro, no São Paulo Expo.
Para Fernando Assinato, CEO da Fishing Raptor, a mudança acompanha um novo comportamento entre os consumidores de embarcações premium.
“Cada metro quadrado a bordo passou a ser avaliado sob a ótica da experiência e do bem-estar”, afirma.
Uma espécie de praia particular

coleção Assinnatta da Fishing Raptor / Foto: Divulgação
A comparação com uma praia particular surge justamente da forma como o ocean lounge modifica a relação entre a embarcação e seu entorno.
Em vez de observar o mar apenas a partir de um assento, da cabine ou do convés, o passageiro pode permanecer praticamente no nível da água. A arquitetura cria uma transição mais fluida entre o interior da lancha, as áreas externas e o próprio mar.
É uma mudança sutil, mas significativa. O barco deixa de ser apenas o meio para chegar a algum lugar e passa a fazer parte do próprio destino.
Essa transformação ajuda a explicar por que as áreas externas ganharam tanta importância nos projetos contemporâneos. Mais do que acrescentar metros úteis, elas mudam a maneira como o tempo a bordo é aproveitado, especialmente nos momentos em que a embarcação está ancorada.
A tendência chega ao Brasil

Coleção Assinnatta da Fishing Raptor / Foto: Divulgação
A presença do conceito em projetos nacionais acompanha um movimento mais amplo da indústria náutica, que vem aproximando arquitetura, design e engenharia para criar embarcações pensadas não apenas para navegar, mas também para permanecer.
No caso da coleção Assinnatta, essa proposta poderá ser vista pelo público brasileiro durante o São Paulo Boat Show, uma das principais feiras náuticas do país, realizada de 24 a 29 de setembro de 2026, em São Paulo.
Mais do que uma novidade de design, o ocean lounge sinaliza uma transformação na própria ideia de lazer sobre a água. A lancha deixa de ser pensada apenas para quando está em movimento e ganha novos usos justamente quando o motor é desligado.










