Ao ir para Portugal pela primeira vez, é fato que Lisboa, Porto e Algarve precisam estar no roteiro. Afinal, são regiões com anos de história, ligadas até mesmo com o Brasil. Mas basta seguir cerca de uma hora e meia ao sul da capital para encontrar outros encantos portugueses.
O Alentejo ocupa quase um terço do território português, reúne 58 municípios e combina patrimônio histórico, vinícolas reconhecidas, gastronomia de forte identidade e uma faixa costeira preservada em plena Europa Ocidental.
É uma região onde as distâncias são curtas, as estradas passam por olivais, vinhedos e sobreiros (árvore nacional de Portugal, a principal fonte de cortiça do mundo). Em apenas sete dias é possível caminhar entre monumentos romanos em Évora, observar o pôr do sol sobre o Lago Alqueva, percorrer muralhas medievais em Marvão e terminar diante das dunas da Comporta.
Como chegar e quanto tempo reservar

Foto: Turismo do Alentejo
A forma mais prática de chegar ao Alentejo é desembarcar em Lisboa, ligada ao Brasil por voos diretos. A partir dali, Évora fica a aproximadamente 130 quilômetros, percurso que pode ser feito de carro. Também há ligações ferroviárias entre as duas cidades, mas quem pretende explorar diferentes municípios vai encontrar no automóvel a melhor alternativa para aproveitar a região com mais liberdade.
Cinco dias já permitem conhecer os principais destinos, embora sete dias sejam o ideal para incluir visitas a vinícolas, restaurantes e pequenas vilas espalhadas pelo interior.
O Alentejo pode ser visitado em qualquer época do ano. Primavera e outono costumam ser de temperaturas agradáveis e menor movimento turístico; o verão favorece quem pretende combinar o interior com o litoral; já no inverno o cenário é muito agradável para caminhadas.
Há ainda um motivo em particular para colocar a região no radar: em 2027, Évora será a Capital Europeia da Cultura, recebendo uma programação especial de exposições, espetáculos e eventos ao longo de todo o ano.
Évora: mais de dois mil anos de história

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Poucas cidades portuguesas conseguem reunir tantos períodos históricos em um único centro urbano quanto Évora. Reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco desde 1986, a cidade preserva marcas deixadas por romanos, mouros e cristãos.
Logo na entrada do centro histórico está o Templo Romano (frequentemente chamado de Templo de Diana), que continua sendo um dos cartões-postais mais conhecidos do país. Poucos minutos de caminhada levam à Praça do Giraldo, coração da cidade desde a Idade Média, à imponente Sé Catedral e à Universidade de Évora, uma das mais antigas do país.
As ruas estreitas apresentam fachadas brancas, portas coloridas, varandas de ferro e antigos azulejos portugueses que sobreviveram até mesmo ao terremoto de 1755. Há cafés, edifícios seculares e pequenas lojas de artesanato local para visitar.
Monsaraz e o Lago Alqueva

Foto: Turismo do Alentejo
A pouco mais de uma hora de Évora, Monsaraz é cercada por muralhas medievais e foi construída sobre uma elevação. Da vila, domina-se a vista para o Lago Alqueva, o maior lago artificial da Europa.
O Castelo de Monsaraz, erguido durante o reinado de D. Dinis no século XIV, continua sendo o principal ponto de observação da região. Dali, é possível contemplar campos agrícolas e um belo pôr do sol durante o verão europeu.
Embora seja possível conhecer a vila inteira caminhando em poucas horas, o entorno amplia bastante as possibilidades. O Alqueva tornou-se referência para passeios de barco e balão de ar quente, enquanto o céu da região recebeu a certificação Starlight, concedida a destinos com excelente qualidade para observação astronômica.
Marvão e Castelo de Vide

Foto: Turismo do Alentejo
No extremo norte do Alentejo, próximo à fronteira espanhola, Marvão e Castelo de Vide oferecem um cenário bastante diferente daquele encontrado nas planícies do sul da região.
Marvão ocupa o topo da Serra de São Mamede, a quase 900 metros de altitude. Não custa perceber por que o local foi considerado estratégico durante tantos séculos. As muralhas acompanham o relevo da montanha, criando um sistema defensivo que permaneceu em uso até o século XIX.
Além do castelo, a região abriga as ruínas romanas da antiga cidade de Ammaia e diversas trilhas que atravessam o Parque Natural da Serra de São Mamede, entre bosques, cursos d’água e pequenas cascatas pouco conhecidas pelos visitantes.
A poucos quilômetros dali está Castelo de Vide. Conhecida como a “Sintra do Alentejo”, a vila tem uma paisagem incomum para a região, marcada por jardins, fontes e ruas estreitas que sobem em direção ao castelo.
O antigo bairro judeu permanece como um dos mais bem preservados de Portugal. Entre ruelas de pedra, é possível encontrar a antiga sinagoga e edifícios que ajudam a compreender a importância da comunidade judaica na história local.
Comporta, entre arrozais, dunas e o Atlântico

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Comporta tornou-se um dos destinos mais disputados de Portugal nos últimos anos, mas ainda assim é discreta. Em vez de grandes edifícios à beira-mar, predominam casas baixas, cercadas por arrozais, pinhais e dunas.
As praias se estendem por quilômetros e mantêm uma ocupação muito inferior em relação a outras regiões costeiras do país. A areia clara e o Atlântico de tons azul-esverdeados explicam por que o destino passou a atrair viajantes em busca de hotéis boutique, beach clubs elegantes e restaurantes voltados à culinária local.
Vale reservar parte do dia para conhecer o Cais Palafítico da Carrasqueira, construído por pescadores sobre estacas de madeira, uma das imagens mais características da região. Se houver tempo, Troia fica a poucos minutos de travessia e permite passeios pelo Estuário do Sado, onde é comum avistar golfinhos, além de atividades como caiaque e observação de aves.
Gastronomia é parte da viagem ao Alentejo
Viajar pelo Alentejo também significa experimentar uma gastronomia marcada pelo aproveitamento dos ingredientes locais e por receitas transmitidas ao longo de gerações.
Entre os pratos mais conhecidos estão as migas, preparadas com pão alentejano, alho e azeite; a açorda de bacalhau; e o porco preto. O cozido de grão aromatizado com hortelã é outro prato que deve ser experimentado.
O Alentejo concentra algumas das mais importantes denominações vitivinícolas portuguesas, reunindo desde produtores centenários até projetos contemporâneos que combinam arquitetura, gastronomia e hospedagem em uma mesma propriedade.
Onde se hospedar no Alentejo?

Foto: Turismo do Alentejo
A hotelaria acompanha a diversidade da região. Em Évora, antigos conventos e palácios foram transformados em hotéis que preservam elementos históricos sem abrir mão do conforto contemporâneo.
Já no interior, muitas vinícolas abriram pequenas hospedagens. Degustações orientadas, visitas às caves, jantares harmonizados e, durante a vindima, a possibilidade de acompanhar a colheita fazem parte da programação.
Na Comporta, predominam hotéis boutique e villas integradas à paisagem, com arquitetura inspirada nas antigas cabanas de pescadores e nos celeiros da região.










