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Organic Festival Trancoso 2026: 7ª edição une gastronomia, cultura e conservação

by Fernanda Antônia - 07/08/2026

Antes de desembarcar novamente na Bahia, o Organic Festival Trancoso fez uma parada em São Paulo. Nesta semana, o Rosewood São Paulo recebeu o coquetel de lançamento da sétima edição do evento, reunindo chefs, parceiros e convidados para apresentar as novidades da programação que ocupará Trancoso entre os dias 23 e 27 de setembro de 2026.

Mais do que antecipar nomes e experiências, o encontro apresentou a essência de um festival que nasceu propondo uma aproximação entre gastronomia, turismo, cultura e consciência ambiental. Idealizado pelo UXUA e por Charles Piriou, o Organic Festival Trancoso reúne neste ano 54 convidados de diferentes partes do Brasil e da América Latina em cinco dias de almoços, jantares, cafés da manhã, trilhas, palestras, oficinas, debates e celebrações.

Ao todo, serão 27 atividades, sendo 16 gratuitas. A proposta é fazer com que a discussão sobre sustentabilidade ultrapasse os encontros fechados e chegue também a moradores, trabalhadores do turismo e viajantes que estiverem em Trancoso durante o período. Todas as 13 palestras, aulas e debates, por exemplo, terão participação gratuita mediante inscrição divulgada pelo Instagram do festival nas semanas anteriores ao evento.

Alta gastronomia com responsabilidade, sustentabilidade com charme

Criação de Roberta Sudbrack no Organic Festival Trancoso/ Foto: Nico Ferri

Durante o lançamento em São Paulo, a relação entre cozinha e conservação apareceu como um dos principais fios condutores da nova edição. Para Osmar Maduro, representante da Interamerican Network, a proposta passa por olhar para aquilo que nasce da terra de outra maneira, transformando o fruto da planta em arte e mostrando que é possível “fazer alta gastronomia com responsabilidade e sustentabilidade com charme”.

A ideia ajuda a traduzir o espírito do Organic Festival. Em vez de colocar sustentabilidade e alta gastronomia em campos distintos, o encontro propõe que ingredientes, território, cultura e conservação façam parte de uma mesma conversa.

Essa relação também aparece na programação. Entre os 54 participantes confirmados, 26 estarão no festival pela primeira vez. Um dos principais nomes é a chef peruana Pía León, do Kjolle, em Lima, que participa do encontro “Natureza & Território: materiais em evolução”, dedicado à relação entre ingredientes, biodiversidade, paisagem e criação.

Pía León, chef responsável pelo restaurante peruano Kjolle, em Lima/ Foto: Camila Novoa

Também fazem sua estreia nomes como o colombiano Jaime Rodríguez, do Celele, em Cartagena; Nello Cassese, do Copacabana Palace; Fernando Bouzan, do Rosewood São Paulo; José Solon, do Gero; Rafa Brito, da The Slow Bakery; Kaywa Hilton, do Boia; Lídia Sá, da Lina Cozinha; e Ieda de Matos, da Casa de Ieda.

Trancoso como lugar de encontros

Morena Leite, chef do restaurante Capim Santo/ Foto: Acervo pessoal

Se a sustentabilidade orienta parte das discussões, a cultura ocupa um espaço igualmente importante. Durante o lançamento, a chef Morena Leite, responsável pelo restaurante Capim Santo, chamou atenção para uma leitura de Porto Seguro e Trancoso que vai além da narrativa tradicional do “descobrimento”.

“Porto Seguro e Trancoso não são lugares de descobrimento, são lugares de encontro”, afirmou, ao lembrar que foi justamente nessa região que diferentes povos se encontraram e contribuíram para a formação da identidade brasileira.

Para Morena, cozinhar também significa preservar e transmitir essa história. A cozinha aparece como cultura, afeto e conexão, algo que, em Trancoso, pode ser percebido tanto nos restaurantes quanto nos saberes que atravessam gerações. Durante o encontro no Rosewood, uma frase resumiu essa dimensão quase ritual da comida: “Ela não cozinha, ela benze.”

É justamente esse sentido de encontro que se espalha pela programação. No sábado, dia 26, o Quadrado Histórico recebe o tradicional piquenique de chefs, amigos e produtores, aberto gratuitamente ao público e sem necessidade de inscrição. No domingo, 27, Lídia Sá prepara um caruru tradicional, também gratuito, em uma homenagem à cozinha de matriz africana da Bahia.

De Pía León a Ieda de Matos

Ieda de Matos, chef e pesquisadora da comida sertaneja baiana/ Foto: Jefferson Gazaniga

A programação gastronômica começa oficialmente na quarta-feira, dia 23, com o jantar de abertura comandado por Nello Cassese, do Copacabana Palace, na Casa La Torre. Nos dias seguintes, diferentes endereços de Trancoso passam a integrar o circuito do festival.

Na quinta-feira, Gabriela Barretto, do Futuro Refeitório, conduz o Almoço do Futuro na UXUA Roça, enquanto Jaime Rodríguez assume o Almar para uma noite dedicada aos sabores latino-americanos. Na sexta, José Solon e Vagner Souza comandam o almoço “Clássicos do Mar”, no Fasano Trancoso, e Roberta Sudbrack, madrinha do festival desde a primeira edição, realiza o Jantar da Madrinha no UXUA Maré.

No sábado, Morena Leite divide a experiência “Nossa, Bahia!” com Kaywa Hilton, enquanto o domingo reserva um encontro entre Dona Jandira e Fernando Bouzan, do Rosewood São Paulo.

O encerramento acontece no UXUA Praia Bar com um luau aberto ao público. Ieda de Matos assume a cozinha, enquanto a cantora Céu apresenta um pocket show e Millos Kaiser e Gui Scott comandam a música. Não é necessário fazer inscrição: basta chegar e participar.

Um festival que quer pertencer a Trancoso

Experiências gastronômicas do Organic Festival Trancoso/ Foto: Nico Ferri

A gratuidade de boa parte das atividades não aparece por acaso. Para Charles Piriou, um festival que se propõe a discutir território precisa estar efetivamente conectado às pessoas que vivem e circulam por ele.

“Metade da programação é gratuita porque um evento que fala de território precisa, antes de tudo, pertencer a todos”, afirma o idealizador. Segundo ele, a mudança de calendário desta edição, antecipada em razão do cenário político, também levou a organização a repensar o formato. O resultado, define, é a edição “mais inovadora” e “mais cheia de esperança” já realizada.

As experiências gratuitas estarão disponíveis por meio de inscrições divulgadas no Instagram oficial do Organic Festival Trancoso, enquanto os almoços, jantares e demais experiências pagas terão reservas realizadas diretamente com cada hotel ou restaurante participante. Algumas celebrações, como o piquenique no Quadrado e o luau de encerramento, dispensam inscrição.

Desde 2025, o Organic Festival Trancoso também conta com apoio do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet. Criado de forma independente em 2017, o projeto se aproxima agora de outro marco: em 2027, completa dez anos de existência.

Ao chegar à sétima edição, o festival reforça uma ideia que esteve presente também no lançamento no Rosewood São Paulo: gastronomia pode ser prazer e alta cozinha, mas também pode carregar território, memória e responsabilidade. Em Trancoso, durante cinco dias, esses elementos voltam a dividir a mesma mesa.

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