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    Livro percorre 150 anos de história do Vale dos Vinhedos e das raízes do vinho fino brasileiro

    by Emilena Gonçalves - 15/09/2026

    Entre vinhedos, pequenas propriedades e antigas histórias de família, o Vale dos Vinhedos guarda uma trajetória que começou muito antes de se tornar um dos principais destinos de enoturismo do Brasil. A paisagem hoje associada a vinhos, gastronomia e experiências entre as montanhas da Serra Gaúcha, é resultado de 150 anos de transformações, trabalho e tradição.

    E é essa história que o jornalista Albert Alcouloumbre Jr. resgata em Vale dos Vinhedos: na raiz do vinho fino brasileiro, publicado pela Autêntica Editora. A obra percorre desde a chegada dos imigrantes italianos à região até o reconhecimento do Vale como a primeira Denominação de Origem do Brasil, além de apresentar as trajetórias de 17 vinícolas.

    Mais do que contar a evolução da produção de vinhos, o livro busca revelar as pessoas e os acontecimentos que ajudaram a construir a identidade de um território que hoje recebe mais de meio milhão de visitantes por ano.

    A história que começa com a imigração italiana

    Capa do Livro

    Capa do Livro / Foto: Divulgação

    Em 1876, imigrantes italianos chegaram à Serra Gaúcha trazendo consigo ferramentas, mudas e conhecimentos que seriam incorporados à vida das novas comunidades. Entre as variedades cultivadas estava a uva Isabel, adaptada às condições locais e ligada aos primeiros passos da produção de vinho na região.

    O livro acompanha essa trajetória desde o final do século XIX e passa pelas diferentes fases da vitivinicultura local. A formação da cadeia produtiva, as crises enfrentadas pelo setor e as mudanças provocadas pela chegada de grandes empresas internacionais, especialmente nas décadas de 1960 e 1970, fazem parte dessa narrativa.

    Empresas como Moët & Chandon, Martini & Rossi, Seagram’s e Heublein, chegaram à Serra Gaúcha durante o chamado “milagre brasileiro”, período que trouxe novos investimentos e mudanças nos padrões de produção. Mesmo permanecendo por um período relativamente curto, a presença dessas companhias marcou a evolução da indústria vinícola brasileira.

    Do reconhecimento do território à Denominação de Origem

    A identidade do Vale dos Vinhedos também é construída a partir do reconhecimento de suas características como região produtora.  Em 1993, um grupo de produtores começou a discutir maneiras de valorizar e proteger a produção local.

    O movimento levou, em 2002, ao reconhecimento do Vale dos Vinhedos como a primeira Indicação de Procedência do Brasil. Uma década depois, em 2012, a região conquistou a Denominação de Origem, tornando-se a primeira e, até hoje, única do país para vinhos tintos, brancos e espumantes.

    A publicação apresenta os caminhos percorridos até essas conquistas e explica aspectos do terroir e das normas de produção que definem os vinhos elaborados dentro da Denominação de Origem.

    Depoimentos de personagens envolvidos nessa construção ajudam a recuperar os bastidores do processo, entre eles o pesquisador da Embrapa Jorge Tonietto e Ademir Brandelli, fundador da Don Laurindo.

    Histórias por trás de 17 vinícolas

    A maior parte do livro é dedicada às histórias de 17 vinícolas do Vale dos Vinhedos. Em vez de apenas apresentar seus vinhos e estruturas, a obra procura mostrar as pessoas que estão por trás de cada empreendimento.

    Fundadores, herdeiros e enólogos-chefe compartilham decisões, mudanças de rumo e desafios que marcaram suas trajetórias. São histórias de famílias que mantiveram uma tradição ao longo de gerações, mas também de empreendedores que começaram no setor sem uma história vitivinícola anterior.

    Entre os relatos está o pioneirismo da Dom Cândido no plantio de Marselan no início dos anos 2000. A Almaúnica aparece em uma história de sucessão marcada pela perda repentina de um fundador. Já Foppa & Ambrosi e Audace contam trajetórias de famílias que construíram seus negócios a partir do zero.

    O resultado é um retrato mais pessoal de uma região em que vinho e turismo se encontram, mas cuja identidade também é formada por histórias familiares e escolhas feitas ao longo do tempo.

    O livro construído no território

     Jornalista Albert Alcouloumbre Jr

    Jornalista Albert Alcouloumbre Jr / Foto: Divulgação

    Para escrever a obra, Albert Alcouloumbre Jr. esteve quatro vezes no Vale dos Vinhedos entre 2025 e 2026. Foram 34 dias de trabalho na região, mais de 30 pessoas entrevistadas e cerca de 4 mil fotografias produzidas durante a pesquisa.

    Dessas imagens, 160 foram selecionadas para o livro. Os registros acompanham a narrativa e ajudam a apresentar não apenas os vinhedos e as vinícolas, mas também as paisagens e os personagens que fazem parte dessa história.

    O trabalho reúne a experiência do autor como jornalista e fotógrafo com sua relação com o universo dos vinhos, ao qual se dedica desde os anos 1980.

    Retrato de 150 anos do Vale dos Vinhedos

    Ao reunir história, relatos e fotografia, a obra  propõe um olhar sobre uma região que continua se transformando.

    Da chegada dos imigrantes italianos à consolidação da vitivinicultura e do enoturismo, são 150 anos de histórias que ajudam a entender como o Vale dos Vinhedos se tornou um dos territórios mais reconhecidos do vinho brasileiro.

    Author

    • Emilena Gonçalves

      Formada em Jornalismo, Emilena é podcaster e criadora do Relatos & Roteiros, projeto multiplataforma dedicado a viagens e ao nomadismo. Na SOLA, atua como colunista, com foco em experiências fora do óbvio e em viagens pelo Brasil e América do Sul.