El Calafate e El Chaltén dividem a mesma província argentina e paisagens dramáticas de cordilheira. A sensação de chegar na Patagônia é de que o mundo é maior do que você imaginava. Mas são destinos com ritmos diferentes. Enquanto um te coloca diante de uma geleira que toma conta do horizonte, o outro faz você caminhar horas até que um mirante se revele.
O mais legal? Dá para viver tudo isso em uma mesma viagem, com planejamento e apoio em terra.
El Calafate: a porta de entrada para o Parque Nacional Los Glaciares
A Avenida del Libertador é famosa pelas chocolaterias artesanais, com sorvete de calafate (fruta silvestre nativa da região, que lembra mirtilo ou amora e leva o nome da cidade) e restaurantes que servem o tradicional cordeiro patagônico assado.
A cidade é porta de entrada do Parque Nacional Los Glaciares, declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO e que guarda, além do Perito Moreno, as geleiras Upsala, Spegazzini e Viedma. A natureza é o cartão postal do destino.

Foto: Visit Argentina
Quando ir: de novembro a março, durante o verão austral, os dias são longos e as quedas de gelo no Perito Moreno são mais frequentes. A meia estação (setembro a dezembro) e outono (março a junho), tem menos gente e preços mais acessíveis. No outono, a paisagem ganha tons alaranjados que rendem fotos maravilhosas.
A viagem normalmente exige conexão em Buenos Aires, de onde é possível embarcar em um voo direto de aproximadamente 3 horas até o Aeroporto Internacional Comandante Armando Tola, que fica a cerca de 20 km do centro de El Calafate.
O que comer em El Calafate

Foto: Visit Argentina
A gastronomia de El Calafate gira em torno de dois ingredientes que a Patagônia domina como ninguém: o cordeiro e a truta. O cordeiro patagônico assado na cruz, o famoso asado al palo, é um ritual à parte. A carne fica horas exposta ao fogo lento. Quase todo restaurante da cidade tem no cardápio, a diferença está em quem tem o melhor ponto de brasa.
A truta aparece defumada, grelhada ou em conserva, e combina bem com os vinhos da Patagônia, especialmente os Malbec e Pinot Noir da região de El Calafate. Vale buscar um restaurante com lareira para a noite, a temperatura cai rápido e jantar aquecido com um bom vinho argentino é parte da experiência.
O sorvete de calafate também vale o destaque. O fruto é colhido na região e vira geleia, licor e sorvete em sabor único, levemente ácido e muito aromático. Pela lenda, quem come o calafate volta à Patagônia. E você vai querer voltar.
Perito Moreno: o gigante de gelo

Foto: My Little Buenos Aires
O glaciar mais visitado do mundo e, também, o mais acessível. Fica a 1h30 de El Calafate por estrada pavimentada e não exige alpinismo para ser visto de perto. O paredão de gelo chega até 74 metros de altura e está em movimento constante.
Perito Moreno avança cerca de dois metros por dia, o que faz com que blocos de gelo se desprendam diariamente nas águas do Lago Argentino causando um estrondo que se ouve de longe. Tal equilíbrio entre avanço e perda manteve o glaciar estável que durante décadas. Hoje, estudos comprovam que o glaciar está diminuindo, o que mudou este tão raro cenário de equilíbrio.
As passarelas panorâmicas são o circuito clássico. Estrutura de 4,7 km, diante da frente da geleira, com diferentes ângulos para contemplar a imensidão.
Já o trekking no gelo, leva você para dentro da geleira com crampons nos pés e guias especializados. Uma outra forma de vivenciar as fendas azuis e ouvir o gelo se mover.
Conheça também o passeio de barco, uma experiência de conexão profunda.
Safári Náutico: quando o barco chega a 200 metros da geleira

Foto: My Little Buenos Aires
Se tem um passeio que muda a perspectiva de quem já visitou Perito Moreno é o Safári Náutico. A My Little Buenos Aires opera esse passeio com traslado incluído, saindo dos hotéis de El Calafate. Detalhe que facilita seu roteiro, já que a logística dentro do parque é confusa para quem vai pela primeira vez.
O embarque é realizado no Porto Bajo las Sombras, dentro do Parque Nacional, a cerca de 5,6 km das passarelas principais. De lá, a embarcação entra nas águas do Brazo Rico do Lago Argentino e navega ao longo de quase três quilômetros da parede sul do glaciar.
A distância até o gelo varia entre 200 e 300 metros. É próximo o suficiente para perceber a escala real do que está à sua frente e para ouvir, com sorte, um desprendimento da geleira.
A navegação dura aproximadamente uma hora. O barco fica parado por um tempo diante da geleira, enquanto os turistas costumam fotografar e apreciar a vista.

Foto: My Little Buenos Aires
Para quem deseja combinar os dois ângulos em um único dia, a My Little Buenos Aires oferece o passeio completo – Safári Náutico e visita às passarelas – com guia e traslado do hotel incluídos, com atendimento em português do início ao fim.
Para ir além na experiência, o Safári Azul adiciona uma caminhada guiada de 1h30 em terra antes do retorno do barco.
El Chaltén: a capital do trekking
Localizado a 215 quilômetros de El Calafate pela Ruta 40, é uma das estradas mais cinematográficas da Argentina.
São cerca de três horas de viagem onde o Lago Viedma e o fotogênico Monte Fitz Roy formam parte da paisagem. A silhueta de picos irregulares contra o céu patagônico ganha sua real dimensão quando vistos ao vivo.

Foto: Pexels
O vilarejo é pequeno, pouco mais de mil habitantes, o que permite ir a pé a quase tudo. El Chaltén é chamada de capital nacional do trekking da Argentina. As trilhas são bem sinalizadas, saem diretamente do centro e grande parte não tem custo de entrada.
Fundado em 1985, Chaltén cresceu com a chegada de hippies, mochileiros e apaixonados por ecoturismo e escaladas desafiadoras. Hoje há hotéis confortáveis, restaurantes com boa cozinha e cervejarias artesanais.
O que comer em El Chaltén

Foto: El Chaltén
A cena gastronômica local é pequena, mas tem personalidade. Cordeiro e javali aparecem nos cardápios dos principais restaurantes, preparados com influência da tradição patagônica e um toque mais contemporâneo do que se esperaria de um vilarejo tão isolado.
As cervejarias artesanais são parte importante da cultura local. A El Chaltén Malt, uma das mais conhecidas, produz estilos variados com água da cordilheira.
Para uma refeição mais elaborada, vale reservar com antecedência, especialmente em alta temporada. Os melhores restaurantes lotam cedo.
Full day com a My Little Buenos Aires
O passeio a El Chaltén com a My Little Buenos Aires é um dia completo e começa em El Calafate. A viagem segue pela Ruta 40, com parada no Parador La Leona, ponto histórico às margens do Lago Viedma com histórias de bandidos e pioneiros. Ao chegar em El Chaltén, o Fitz Roy está à vista.
A trilha do Mirador de los Cóndores é de baixa dificuldade. O caminho é de aproximadamente uma hora de subida e leva a um mirante com vista panorâmica para a cordilheira, o Fitz Roy e o Cerro Torre.

O monte Fitz Roy possui 3.405 metros e fica localizado na Cordilheira dos Andes (Patagônia), na fronteira entre a Argentina e o Chile. / Foto: Unsplash
Depois da caminhada, o grupo almoça em um restaurante do vilarejo, pausa para conhecer a cidade e dar uma volta pela Avenida San Martín. À tarde, o passeio segue para o Salto del Chorrillo, uma cachoeira emoldurada por lengas e ñires, árvores características da floresta patagônica.
Já as trilhas mais ambiciosas, como a Laguna de los Tres (a mais cobiçada, com 20 km ida e volta e vista frontal para o Fitz Roy) ou a Laguna Torre, pedem pelo menos dois dias para fazer sem pressa. A cidade à noite, com seus poucos bares e restaurantes com viajantes de diferentes partes do mundo, também tem seu charme.
Antes de ir: o que a SOLA recomenda

Foto: El Chaltén
- Voe direto para El Calafate. O aeroporto recebe voos diretos de Buenos Aires e de outras capitais sul-americanas.
- Reserve os passeios com antecedência. Em alta temporada (dezembro a fevereiro), o Safári Náutico e os passeios guiados a El Chaltén esgotam. A My Little Buenos Aires trabalha com reservas e atendimento em português.
- Leve camadas. El Calafate e El Chaltén podem ter sol, vento e chuva no mesmo dia. Roupa impermeável, protetor solar e calçados fechados no trekking, são aliados.
- Planeje pelo menos quatro noites. Dois dias em El Calafate (com Perito Moreno e barco) e dois em El Chaltén (com pelo menos uma trilha longa). Assim é possível fazer o itinerário com calma.










