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    O que esperar de Neuquén, um dos melhores destinos de inverno da Patagônia argentina

    by Luisa Knorst Deotti - 19/05/2026

    Neuquén é a segunda província mais populosa da Patagônia argentina e concentra alguns dos melhores destinos de neve do país. São cidades pequenas, com lagos à vista e ótima gastronomia. A região abrange vários perfis de viajantes, aqueles que nunca viram neve, mas também quem adora esquiar e quer algo mais perto de casa.

    A temporada mais fria inicia em junho e vai até setembro, com cada centro de esqui abrindo em datas específicas conforme a acumulação de neve. Este ano há novidades em praticamente todos os detinos

    Cerro Chapelco, em San Martín de los Andes: a grande novidade da temporada

    Foto: Turismo Neuquén

    San Martín de los Andes fica no corredor da rota 40, às margens do lago Lácar e tem uma vida cultural e gastronômica que vai além da temporada de neve. Mercado de produtores locais, casas de chá com gastronomia local, o Museu La Pastera dedicado ao Che Guevara e trilhas até os miradouros Bandurrias e Arrayán. No verão, a cidade é base para canoagem, kayak e pesca esportiva.

    Foto: Cerro Chapelco

    No inverno, a atração principal é o Cerro Chapelco, a cerca de 20 quilômetros do centro e com mais de 20 pistas esquiáveis. Para 2026, o complexo chega com a obra mais importante dos últimos anos: uma nova telecabina que triplica a capacidade de transporte até a montanha. O que reduz o tempo de espera e melhora o acesso às pistas.

    Para quem vai esquiar pela primeira vez, o complexo tem escolas com instrutores e equipamentos disponíveis para aluguel, como botas, esquis e roupas térmicas.

    Cerro Bayo, em Villa la Angostura: dentro do Parque Nacional Nahuel Huapi

    Foto: Villa la Angostura Turismo

    Villa La Angostura fica cercada por florestas de coihues, ñires e lengas (as três árvores nativas mais emblemáticas da região), a cerca de pouco mais de uma hora e meia de San Martín. A cidade guarda também o Bosque de Arrayanes, único da espécie no mundo, com árvores de mais de 650 anos. O acesso pode ser feito a pé, de bicicleta ou de barco pelo Nahuel Huapi.

    Além disso, o Lago Correntoso e o Rio Correntoso são destinos clássicos de pesca esportiva de trutas e o Caminho Pioneiro convida a conhecer a história da vila por arquiteturas antigas, incluindo a Igreja Nossa Senhora da Assunção e o primeiro hotel da cidade.

    Foto: Villa la Angostura Turismo

    Com vista panorâmica, o Cerro Bayo oferece mais de 20 pistas, na época de inverno. É charmoso e conhecido por ser um centro de esqui boutique. Os passes variam conforme o período: para adultos, entre 111 e 136 mil pesos argentinos por dia. Há opções de meio período e pacotes flexíveis de vários dias (consecutivos ou alternados).

    Batea Mahuida: estação administrada pela comunidade Mapuche Puel

    Foto: Cerro Batea Mahuida

    A Villa Pehuenia é cercada por araucárias e tem um lago de cor azul-turquesa que muda bastante no inverno. O Parque de Nieva Batea Mahuida abre em 1 de julho e tem um diferencial: é o primeiro centro de esqui do mundo, administrado por uma comunidade indígena, os Mapuche Puel.

    São povos originários da Patagônia e de grande parte do sul da América do Sul, com língua, espiritualidade e práticas culturais próprias. Para 2026, há melhorias em serviços, acessos e espaços gastronômicos.

    Caviahue, no sopé do vulcão Copahue

    Foto: Turismo Neuquén

    Menos conhecido no circuito brasileiro, Caviahue fica nas encostas do vulcão Copahue, um dos cenários mais singulares da Patagônia, onde a neve encontra o terreno vulcânico e florestas de pehuenes. A temporada 2026 abre em 27 de junho, com promoções para família e principiantes, e uma agenda de eventos que inclui o Rugby Extreme (4 e 5 de julho) e o Snow Polo (15 e 16 de agosto).

    A Rota dos Sete Lagos: 110 quilômetros que cabem em um dia

    Foto: Turismo Neuquén

    A rota conecta San Martín de los Andes a Villa La Angostura passando também por outros centros e vilas andinas. São 110 quilômetros em que os lagos Machónic, Falkner, Villarino, Escondido, Correntoso, Espejo e Nahuel Huapi se encadeiam em sequência, com curvas que ora entra no bosque andino patagônico, ora abrem para montanhas inteiras. Uma rota de um dia, ou três, dependendo do seu roteiro.

    É possível fazer o itinerário de carro, bicicleta ou moto, com paradas em campings ao longo do caminho. Quem não tem veículo próprio, encontra excursões contratadas, transporte em vans ou ônibus.

    Foto: Unsplash

    No verão, atividades ao ar livre são a atração. Já no inverno, a rota fica com neve nas montanhas e menos movimento, mas é importante saber que as nevas intensas podem impedir trekking e acampamento à beira dos lagos, atividades mais indicadas entre setembro e março.

    À mesa na Patagônia: gastronomia de Neuquén

    A cozinha da região tem a lógica do produtor local e o que vem do entorno. O cordeio criado nas pastagens da região, assado lentamente em forno de barro, é o prato mais representativo, presente em praticamente todos os menus. A truta, pescada nos rios andinos, aparece desde a forma mais simples até a mais elaborada. No inverno, a sopa de cogumelos de pinheiro e os waffles de frutas vermelhas são as melhores pedidas.

    Foto: Turismo Neuquén

    Sobre os vinhos de Neuquén: a região produtora fica no norte da província e ainda é pouco conhecida fora da Argentina, mas trabalha bem com variedades que se adaptam ao clima frio da cordilheira. É um perfil bem diferente de Mendoza.

    Ao longo da Rota dos Sete Lagos, as paradas gastronômicas incluem chocolates artesanais, queijo de ovelha com batata-doce e tortas fritas feitas na hora.

    Neuquén funciona para mulheres que viajam sozinhas

    Marina Gonzáles, diretora comercial da Neuquéntur, afirma: “Neuquén é um destino que recomendamos para todas aquelas mulheres que viajam sozinhas, com amigas ou com crianças. É um destino seguro, agradável e acolhedor ao mesmo tempo”.

    A escala das cidade ajuda nisso, dá para circular de forma independente, sem muito planejamento. Gonzáles lembra ainda que o destino muda completamente de cara ao longo do ano.

    Como chegar em Neuquén

    O acesso mais direto é por via aérea. A principal opção é pegar um voo até Buenos Aires com conexão para San Matín de los Andes: o Aeroporto Aviador Carlos Campos/Chapelco fica a cerca de 20 km da cidade e recebe voos regulares. A segunda opção é pegar um voo até a cidade de Neuquén: a capital da província tem aeroporto com boas conexões e de lá você pode seguir de carro até os destinos da região. Também existe a opção de voar até Bariloche e seguir de carro: ótimo para quem deseja aproveitar o trajeto e chegar a Villa La Angostura ou San Martín de los Andes pela estrada.