Quando se pensa em uma viagem para a Disney, pode ser que a imagem imediata que venha à sua cabeça seja a de uma criança pequena diante do Castelo da Cinderela. Mas essa narrativa está mudando, e quem entende esse movimento melhor do que ninguém é Cinthia Douglas, diretora de marketing e vendas da The Walt Disney Company para a América Latina.
Ela revela como os adultos se tornaram um dos focos estratégicos da empresa, o que está por vir nos parques nos próximos anos e por que um investimento bilionário está redesenhando a experiência Disney de dentro para fora.
A brasileira que leva sonhos para a América Latina

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Cinthia chegou à Disney em 2012, numa época em que os canais de mídia social da empresa nem existiam em português ou espanhol para a região. Ela ajudou a construir isso do zero e foi crescendo junto com o mercado. Hoje comanda o marketing e as vendas de todos os canais para a América Latina, incluindo Brasil, México, Argentina, Colômbia e demais países da região.
Formada em Publicidade e Relações Públicas, com estudos em Psicologia, área que ela diz consumir em livros sempre que tem tempo livre, Cinthia representa perfeitamente o perfil de liderança de uma marca global: técnica, curiosa e genuinamente apaixonada pelo que faz.
“É uma grande responsabilidade tudo que fazemos” ela diz. “Em cada post e cada projeto carregamos com a gente o sonho das pessoas. Tem gente que tenta a vida toda para realizar essa viagem”, reflete.
Adultos sem crianças: o público que a Disney quer conquistar

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A estratégia da Disney para 2026 deixa claro que a marca quer ir além das famílias. Adultos que viajam sem filhos, que cresceram com os filmes da Disney e querem vivenciar esses universos de perto, representam um grupo que a empresa está ativamente cortejando.
“Muitos adultos cresceram com essas histórias e querem ir aos lugares onde elas se tornam reais,” explica Cinthia. “Eles não precisam de filhos para querer essa experiência”, completa.
Para a leitora da SOLA que foi à Disney na infância, ou nunca foi e sempre quis, essa é talvez a informação mais relevante: os parques foram desenhados para encantar também quem já chegou à vida adulta com as referências todas na memória afetiva.
O que é, de fato, uma experiência VIP dentro da Disney

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A Disney oferece três camadas de experiência premium que vale conhecer antes de planejar qualquer coisa da viagem:
- Guia VIP Oficial da Disney — Um guia exclusivo para até 10 pessoas, contratado por quantos dias você quiser. Ele fica com o grupo o dia inteiro, conduz a todas as atrações com o mínimo de espera e tem acesso aos bastidores dos parques. É a opção mais completa e a mais próxima do que se imagina quando se fala em “viver a Disney sem perder tempo em fila”.
- Lightning Lane — Passe virtual comprado pelo aplicativo, disponível por atração específica (Individual) ou em pacote para múltiplas atrações (Multi Pass). A versão Multi Pass permite agendar até três atrações por dia e ir adicionando novas conforme você as conclui. Representa um meio-termo inteligente para quem quer otimizar sem contratar um guia.
- Club Level nos Resorts Deluxe — Uma categoria especial de hospedagem com andar dedicado que inclui café da manhã, petiscos à tarde, bebidas em horários determinados e concierge exclusivo. Hóspedes também entram nos parques antes da abertura oficial. Esse detalhe muda completamente a lógica do dia e lembra o nível concierge dos próprios cruzeiros Disney.
Os resorts da categoria Deluxe: Grand Floridian, Contemporary e Polynesian Resort, ficam ao redor de um lago no Magic Kingdom, conectados por um monorail. Têm o charme dos grandes hotéis históricos americanos e, dentro do Grand Floridian, o restaurante Victoria & Albert’s entrega uma experiência gastronômica que merece menção por conta própria.
O que vem por aí: bilhões redesenhando os parques

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Este é talvez o dado mais impactante da conversa: a Disney está investindo bilhões de dólares em seus destinos nos próximos anos. O que isso significa, na prática, para quem planeja visitar:
Magic Kingdom
- Uma área dedicada aos Vilões da Disney: sombria, misteriosa, com restaurantes e lojas temáticas. Sem data de abertura confirmada ainda, a construção já está em andamento e promete ser uma das adições mais aguardadas do parque.
- Uma área temática de Carros, inspirada no filme, que já existe na Disneyland Califórnia e agora chega à Flórida.
Animal Kingdom
- A Tropical America — Grande expansão inspirada nos filmes Encanto e Indiana Jones, com foco na cultura e na exuberância latino-americana. Previsão de conclusão: 2027.
Hollywood Studios
- Uma área dedicada ao universo de Monstros S.A., com atrações e ambientação imersiva.
Para quem planeja uma visita nos próximos dois ou três anos, o parque que você conheceu, ou imaginou, pode ser bem diferente do que vai encontrar.
Os cruzeiros Disney: o all-inclusive que faz sentido

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Os cruzeiros Disney partem principalmente da Flórida com roteiros para o Caribe, em durações que vão de 3 a mais de 7 noites, seguindo o modelo all-inclusive. A comparação é direta com o que o viajante brasileiro já conhece bem: quase todos os restaurantes possuem bebidas não alcoólicas à vontade, room service 24h, clubes infantis para crianças acima de três anos, shows estilo Broadway e atividades a bordo estão incluídos na tarifa. Nada de surpresa na conta final.
Dois destinos exclusivos entram em vários itinerários:
- Castaway Cay — Ilha privativa da Disney com praia, almoço incluso, cabanas particulares para famílias que querem mais privacidade e uma área exclusiva para adultos.
Lookout Cay at Lighthouse Point — Nas Bahamas, com estrutura similar: praia, refeições e bebidas inclusas, cabanas e espaço adulto separado. Uma das adições mais recentes e mais elegantes da linha.
A Ariel que foi atrás do que queria
Perguntada sobre sua personagem favorita, Cinthia escolhe Ariel. A resposta diz mais sobre liderança do que sobre nostalgia.
“O que me conectou a ela foi que ela decidiu o que queria e foi atrás, mas não sem sacrifício. A gente às vezes não fala tanto dos desafios ou do que precisa abrir mão para conquistar o que quer. Mas na história dela existe esse sacrifício, e no final ela tem o happily ever after dela.”
É um paralelo que a própria diretora de marketing e vendas vive: mais de uma década construindo um mercado do zero, crescendo dentro de uma das maiores empresas de entretenimento do mundo, representando uma marca que carrega o sonho de milhões de pessoas. “Pode trocar o príncipe por uma carreira, uma viagem, qualquer coisa”, ela completa com o sorriso de quem sabe que os finais felizes são mais complexos, e mais interessantes, do que aparecem na tela.









