Uma peça que atravessa oito anos no guarda-roupa e continua atual diz bastante sobre a ideia por trás da MyBasic. Carolina Pucci, fundadora da marca, tem algumas assim no próprio armário. Quando criou a empresa, em 2012, seu ponto de partida era outro: encontrar no Brasil aquele básico mais elaborado que costumava consumir durante as viagens ao exterior, com bons tecidos, versatilidade e uma “bossa especial”.
A sustentabilidade entrou depois, conforme Carol começou a estudar a indústria da moda e descobriu o que existia antes de uma roupa chegar à arara. Formada em administração e com dez anos de carreira em multinacionais, ela começou pelo fio, passou pelos tecidos e foi entender processos produtivos, fornecedores e impactos ambientais. “Não foi uma coisa que eu falei: ‘vou lançar uma marca de moda básica sustentável’. Não é verdade isso”, comenta.

Carolina Pucci entre as criações da MyBasic. / Foto: Divulgação
O que surgiu dessa pesquisa acabou colocando a MyBasic na contramão de um mercado que, naquele momento, assistia à expansão do fast fashion. Enquanto coleções eram substituídas rapidamente e tendências estimulavam a renovação constante do guarda-roupa, a marca optou por peças atemporais, algumas mantidas em linha por oito ou dez anos. Só mais tarde Carol descobriu que aquela forma de produzir e consumir já tinha nome: slow fashion.
Em conversa com a nossa redação, Carol contou como essa escolha aparece hoje em diferentes frentes da MyBasic.
O básico fora da lógica de tendências
Na MyBasic, cada produto tem seu próprio ciclo de vida. Se uma peça continua fazendo sentido, ela permanece no portfólio, podendo receber novos tons ou pequenos ajustes ao longo dos anos. A durabilidade também muda a forma como Carol pensa o preço de uma roupa, além do valor da etiqueta, entram na conta a qualidade, a quantidade de usos e as possibilidades de combinação.
Essa preocupação começa ainda na matéria-prima. Hoje, cerca de 90% das fibras utilizadas pela marca são de origem natural, enquanto a produção é 100% nacional. Carol nos contou que os fornecedores, procedência dos fios, certificações e processos envolvidos na fabricação são avaliados antes do desenvolvimento de uma peça.

Na Casa MyBasic, dados sobre os impactos da marca aparecem integrados ao espaço. / Foto: Raquel Pryzant
Em 2021, a MyBasic se tornou uma Empresa B, certificação concedida a negócios que incorporam compromissos sociais e ambientais à própria gestão. Na prática, o processo exigiu documentação, rastreabilidade e comprovação dos impactos gerados pela empresa. Para Carol, porém, sustentabilidade não deveria funcionar como um departamento isolado. “A sustentabilidade tem que estar enraizada”, afirma.
Da matéria-prima à moda circular
A mesma lógica aparece quando uma roupa deixa de seguir o caminho tradicional da venda. A MyBasic já desenvolveu projetos de upcycling, transformando peças existentes em novos produtos, e criou o MyBasic Circular, iniciativa que dá destino a peças piloto, itens com pequenos defeitos e roupas que foram utilizadas em produções e ainda podem continuar em uso.
Em algumas edições, clientes também puderam levar peças usadas da própria marca e trocá-las por outras. A iniciativa reforça uma discussão que Carol considera cada vez mais necessária: a responsabilidade pelo tempo de vida de uma roupa não termina quando ela sai da loja.
Para a empresária, o consumidor também começa a olhar para a moda de maneira semelhante ao que aconteceu com a alimentação. Se observar ingredientes, procedência e composição passou a fazer parte da escolha de muitos alimentos, entender fibras, origem e condições de produção tende a pesar cada vez mais na decisão sobre o que vestir.
A identidade da MyBasic também ocupa a arquitetura

A Casa MyBasic, em São Paulo, leva a identidade da marca também para a arquitetura. / Foto: Raquel Pryzant
Depois de nascer no digital e passar anos apenas no e-commerce, a empresa precisava transformar em espaço físico uma identidade que até então existia principalmente nas roupas e na comunicação. A resposta foi a Casa MyBasic, em São Paulo.
Áreas abertas, jardim, árvores frutíferas e presença do verde fazem parte de uma arquitetura pensada para traduzir os princípios da marca e a maneira como ela queria apresentar suas peças. Carol conta que clientes chegam a colher mexericas no jardim, enquanto pássaros fazem parte da paisagem da casa.
Quando a MyBasic começou a chegar também aos shoppings, o desafio passou a ser transportar essa identidade para outro formato de loja sem perder o que havia sido construído na Casa. É uma expansão que acompanha uma ideia presente desde o início da marca, antes de colocar uma nova peça, material ou endereço no mercado, entender se aquilo ainda faz sentido para o que a MyBasic se propõe a construir.
Onde encontrar a MyBasic
Para quem quiser conhecer a marca de perto, a Casa MyBasic fica na Rua Groenlândia, 1446, em São Paulo, e funciona de segunda a sexta, das 9h às 19h, aos sábados, das 9h às 17h, e nos feriados, das 10h às 17h. A MyBasic também está no 2º piso do Shopping JK Iguatemi e do Shopping VillaLobos, ambos em São Paulo, com atendimento de segunda a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos e feriados, das 14h às 20h. No Rio de Janeiro, a marca está no 1º piso do Shopping Rio Design Barra, que abre de segunda a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos e feriados, das 13h às 21h.









