Mulheres na estrada: o crescimento das viagens de motorhome
09/06/2026
Descubra o segredo por trás do melhor rooftop de Miami
09/06/2026

    Torres del Paine: passeios, melhores hotéis e tudo que você precisa saber antes de ir

    by Luisa Knorst Deotti - 09/06/2026

    O Parque Nacional Torres del Paine fica na Região de Magalhães, no extremo sul do Chile, a pouco mais de uma hora de Puerto Natales. Recebe mais de 280 mil visitantes por ano e concentra montanhas de granito, campos de gelo, lagos turquesa e uma fauna que inclui pumas, guanacos, condores e a raposa patagônica, que circula pelo parque sem a menor cerimônia.

    O principal acesso ao parque é pela Portaria Laguna Amarga e os ingressos precisam ser comprados com antecedência pelo portal Pases Parques. Desde abril de 2025, o Circuito W e o trecho até a Base Torres exigem guia autorizado durante o inverno e vale checar as condições atualizadas na CONAF (Corporação Nacional Florestal) antes de fechar qualquer roteiro.

    Para brasileiros que querem fazer o destino com estrutura e sem improvisar, a Chile Nativo opera Torres del Paine com roteiros completos, do translado às hospedagens dentro do parque.

    Riverside Camp: glamping na entrada do parque

    Foto: Riverside Camp

    O Riverside Camp, operado pela Chile Nativo, nasce da união entre o “camping” e “glamour”. Dormir em um “Glamping” proporciona contato com a natureza sem perder o conforto. A localização também é um ponto alto, o Riversite fica próximo à entrada pela Laguna Amarga e funciona como base para os primeiros dias.

    As barracas têm cama, disponíveis nas versões King e Twin, além de calefação, essencial na Patagônia.

    Foto: Riverside Camp

    A gastronomia é um dos diferenciais do Riverside. O restaurante, farm to table, celebra a gastronomia do sul do Chile com jantar de três tempos desenvolvido pelo chef do acampamento. O café da manhã é em formato buffet e o almoço em lunchboxes, para os hóspedes levarem para as trilhas.

    O projeto tem também um compromisso profundo com a sustentabilidade. Entre os destaques estão os decks da propriedade, feitos de placas de eco-madeira.

    Circuito W: o trecho até o Vale do Francês

    O Circuito W tem 76 km no total e percorre os pontos principais do Paine em 4 a 5 dias. É possível fazer trechos isolados e o que vai até o Vale do Francês é um dos mais completos em termos de paisagem.

    São cerca de 20 km entre floresta patagônica, campos abertos e paredes rochosas. É possível ouvir as avalanches de gelo no silêncio do vale. O clima muda rapidamente, neve e sol podem coexistir no mesmo percurso, o que na Patagônia não é exceção.

    Hotel Lago Grey e o Glaciar Grey

    Foto: Hotel Lago Grey

    O Hotel Lago Grey fica às margens do famoso Lago Grey. Paisagem que, antes dos anos 2000, atraia mais viajantes que a própria fotografia das torres do parque. É do píer ao lado do hotel que sai o barco para o Glaciar Grey, parte do Campo de Gelo Patagônico Sul com impressionantes 30 metros de altura.

    Os quartos têm aquecimento central, Wi-Fi e vistas para o lago ou para as montanhas. O hotel é all inclusive, com refeições e excursões incluídas em alguns pacotes. Uma opção prática para quem quer concentrar os dias em atividades sem se preocupar com logística de alimentação dentro do parque.

    Foto: Torres del Paine

    No caminho para o Glaciar Grey, Los Cuernos aparece com o contraste entre o granito escuro e o cume mais claro. Uma formação geológica com 12 milhões de anos, resultado de movimentos tectônicos e glaciais que forma um dos enquadramentos mais dramáticos do parque.

    Foto: Unsplash

    A água no glaciar é turquesa entre blocos de gelo. A navegação permite ver a escala e a cor do gelo de uma distância que nenhuma fotografia traduz perfeitamente. Para quem quiser ir além da navegação, o hotel também oferece ice hiking sobre o glaciar e caiaque no lago.

    Safári fotográfico

    Foto: Unsplash

    O safári fotográfico é uma forma de percorrer o parque com atenção voltada para a fauna, sem mochila pesada nem meta de quilômetros. O avistamento das espécies não é garantido , mas guanacos em manada, raposas patagônicas e condores em voo são frequentes nas áreas abertas.

    Os safáris funcionam em grupos pequenos, com guias especializados em ecologia local e comportamento animal. Empresas operam durante todas as estações, com diferentes possibilidades de avistamento em cada período: no inverno, os pumas costumam se movimentar com mais frequência em áreas abertas.

    Para quem tem interesse específico em fotografia de natureza, os pacotes de dois ou três dias aumentam as possibilidades de encontrar o puma em campo aberto e em distância próxima o suficiente para fotografar com equipamento de alcance médio.

    Hotel Las Torres: as montanhas são o pano de fundo

    Foto: Hotel Las Torres

    Hotel Las Torres fica na base da trilha que leva até o ponto mais icônico do parque, as torres de granito que dão nome ao destino. A caminhada de ida e volta soma cerca de 20 km. Fica localizado na entrada tanto do Circuito W quanto do Circuito O, o que o torna prático para diferentes perfis de trekking.

    A história do hotel começa nos anos 1970, quando a propriedade operava como estância. Parte dessa identidade permanece. Cavalos circulam pela reserva durante o dia e a estrutura de hospedagem combina 74 quartos com decoração rústica e confortável, em madeira e amplas janelas.

    Os quartos (nas categorias Superior e Junior Suite), a cozinha e o bar são reconhecidos em todo o país. O Pionero, comandado pelo especialista em coquetelaria, Federico Gil, oferece uma aula com ingredientes e referências da Patagônia. É um programa que ocupa algumas horas da tarde.

    Federico cria seus próprios copos, leva a bandeira da sustentabilidade e inova com instrumentos de laboratório dentro da coquetelaria.

    Baqueanos: conheça a cultura 

    Foto: Hotel Las Torres

    A experiência com os baqueanos, disponibilizada pelo Hotel Las Torres, é um dos ponto mais inesperados do roteiro. Os baqueanos são os peões e trabalhadores rurais da Patagônia chilena – os gaúchos do Chile, com uma cultura que tem parentesco direto com a dos pampas do sul do Brasil.

    A atividade começa com uma cavalgada pelo entorno da reserva. No campo aberto, os baqueanos mostram como leem o vento, como identificam o comportamento do gado e como se orientam numa paisagem que muda conforme a estação.

    O chimarrão aparece no meio da conversa. Para quem vem do sul do Brasil, dá para reconhecer o sotaque, o mate e a relação com a terra. Para quem não conhece essa cultura, é um acesso direto a uma forma de vida que não existe em nenhum outro formato de passeio dentro do parque.

    Foto: Chile Nativo

    Torres del Paine não tem um único formato de visita. Quem faz o Circuito W completo tem uma experiência diferente de quem concentra os dias em safáris e navegação. O parque tem tamanho e diversidade para isso. O que define a qualidade da viagem é saber o ritmo que você deseja viajar e ter estrutura para chegar e aproveitar ao máximo, coisa que a Chile Nativo entende como ninguém.

    Author