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Patagônia a pé: por dentro das trilhas de Bariloche

by Emilena Gonçalves - 05/10/2026

Bariloche não precisa de neve para funcionar. Quando o inverno sai de cena, os caminhos pela montanha ganham espaço e colocam lagos, bosques e refúgios no roteiro de um jeito diferente: a pé, no ritmo que as pernas permitirem.

A rede de trilhas da região é democrática, já que tem caminhada de 20 minutos para quem só quer encaixar um pouco de natureza no dia e travessia de quatro ou cinco dias para quem leva trekking realmente a sério.

No Parque Municipal Llao Llao ficam algumas das opções mais tranquilas. O caminho até o Lago Escondido leva cerca de 20 minutos por trecho, os percursos pelo Cerrito Llao Llao e por Villa Tacul duram entre 50 minutos e 1h20. Já os bosques, lagos e montanhas entram no pacote sem exigir currículo de montanhista.

Bahía López aumenta um pouco a caminhada. O percurso, considerado de baixa dificuldade, dura aproximadamente 1h30 e tem vistas para o Brazo de la Tristeza, a própria Bahía López e o Cerro Capilla. Cabe no dia sem transformar o restante da programação em missão impossível.

Subindo o nível, literalmente

Refúgio López - Bariloche

Refúgio López – Bariloche / Foto: Divulgação

No caminho entre a base do Cerro Catedral e o Refúgio Emilio Frey, a conversa muda. São cerca de 10 quilômetros por trecho, 700 metros de desnível e quatro a cinco horas de caminhada só na ida durante o verão. Entre novembro e abril, a dificuldade é considerada média. De maio a outubro, passa a ser alta.

Saindo de Colonia Suiza, o caminho até o Refúgio Italia Manfredo Segre, junto à Laguna Negra, soma cerca de 11 quilômetros por trecho e 800 metros de desnível. A ida leva de cinco a seis horas, é possível dormir no refúgio ou na área de camping, mediante reserva, o que poupa as pernas de encarar outros 11 quilômetros no mesmo dia.

Depois vêm as travessias para quem realmente fez as pazes com a mochila. A Travesía de los Cuatro Refugios conecta Frey, Jakob, Laguna Negra e López ao longo de quatro a cinco dias. Já a Travesía de las Cinco Lagunas e o Paso de las Nubes, na região do Cerro Tronador, chegam a áreas mais remotas e exigem experiência e preparo.

A régua sobe ainda mais na travessia entre os refúgios Otto Meiling e Agostino Rocca pelo Glaciar Alerce. O percurso é classificado como extremo e exige acompanhamento de guia de montanha, equipamentos adequados e conhecimentos técnicos específicos, ou seja, não é o momento de descobrir um talento repentino para o improviso.

Refúgio Frei

Refúgio Frei / Foto: Divulgação

Distância é só uma parte da conta na hora de escolher uma trilha em Bariloche. É preciso conferir época do ano, previsão do tempo, horas de luz, condições do terreno, desnível e equipamentos necessários. O mesmo percurso pode ser perfeitamente viável no verão e ganhar outro nível de dificuldade nos meses frios.

Nas trilhas do Parque Nacional Nahuel Huapi, o Registro de Trekking deve ser feito previamente. É gratuito e online. Quem pretende dormir pelo caminho também precisa conferir as regras e a disponibilidade dos refúgios e campings antes de sair.

No fim das contas, não existe uma única Bariloche para quem gosta de caminhar. Dá para gastar 20 minutos chegando a um lago escondido, dedicar o dia a um refúgio ou desaparecer por alguns dias entre montanhas. Só vale consultar as pernas antes de se empolgar com as fotos.