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    Lamento de um guerreiro Fulni-ô

    by Raquel Cintra Pryzant - 17/08/2017

    Towê Veríssimo foi a liderança representante do povo indígena Fulni-ô na Aldeia Multiétnica da Chapada dos Veadeiros de 2017. As vozes dos Fulni-ô, além de lindas, têm muito a nos ensinar. Por isso, O Grupo Towê gravou um CD chamado “Canticos Sagrados Fulni-ô” com canções em português e em Yaathê. Aprendemos algumas melodias ao redor do fogo, que vem a ser o significado da palavra Towê neste idioma, que é tão importante para a cultura Fulni-ô.

    “Foi ao redor do fogo sagrado que conheci a história de luta da sua aldeia e aprendi a rezar com o fumo. Todas as noites cantávamos juntos, em yaathê e em brasileiro, sob o rastro da Via Láctea e a chuva de estrelas. A fogueira acolhedora e a sabedoria paternal de Towê são as minhas principais memórias saudosas nas noites vazias do Rio de Janeiro.” Palavras de Thais, sobre Towê. Me tocam, em São Paulo.

    Foto: André Rodrigo Pacheco

    A música diz tudo, e eu não quero atrapalhar. Então aqui estão os versos da faixa 12 do CD. Frases de poesia, reza e lamento, de um guerreiro Fulni-ô.

    “Eu nasci em uma Aldeia, que se chama Fulni-ô (2x)

    Eu lutei muito no estatuto novo, prá nós não se acabar (2x)

    A minha nova geração, são guerreiros das florestas (2x)

    O homem branco não em consciência

    Eles tocam fogo em nossas florestas

    Se já não tem o ar, não tem a chuva pra molhar

    E os nossos peixes estão morrendo

    E o futuro das nossas crianças? (eu só lamento)

    E o futuro das nossas vidas?  (eu só lamento)

    E a vida das nossas terras?  (eu só lamento)

    E o ar e as estrelas? (eu só lamento)

    Lamento de um guerreiro Fulni- ô, lamento de todos os povos indígenas, lamento da mãe terra

    Lamento de nossas florestas que estão se acabando aos poucos, e ninguém observa ninguém ta ligando, vai se acabando aos poucos

    E nós índios sumindo da mãe terra e ninguém liga.

    Nós não interessa pro mundo, eles acham

    Nós só atrapalha, eles pensam

    Mas nós somos a força, somos a natureza, somos a água e somos o fogo e a vida

    Somos índios Fulni-ô, vivemos no Sertão, numa tribo muito harmonizada, um povo guerreiro.”

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