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Lugano: a Suíça que fala italiano, bebe Merlot e tem alma mediterrânea

by Fernanda Antônia - 15/10/2026

Esqueça por um instante a Suíça dos Alpes nevados, dos chalés de madeira e dos relógios de cuco. Existe uma versão do país onde o italiano domina as conversas, as palmeiras dividem espaço com as montanhas e o aperitivo no fim da tarde é levado tão a sério quanto a pontualidade dos trens.

Bem-vindo a Lugano, no cantão de Ticino, ao sul da Suíça, onde a atmosfera mediterrânea parece ter atravessado a fronteira italiana e decidido ficar.

A pouco mais de uma hora de trem de Milão, a cidade costuma aparecer nos roteiros como um bate-volta. Mas há bons motivos para contrariar essa ideia, já que entre passeios de barco, restaurantes escondidos em antigas adegas, vinhedos e vilarejos que parecem cenários de cinema, Lugano merece mais do que algumas horas no itinerário.

A sugestão? Pelo menos três dias para descobrir que a Suíça também sabe viver sem pressa.

O que fazer em Lugano, na Suíça: um destino com alma italiana

A Piazza della Riforma reúne cafés e edifícios históricos no coração de Lugano/ Foto: Milo Zanecchia

Lugano tem uma personalidade curiosa: é suíça na organização, na infraestrutura e na hospitalidade, mas italiana no idioma, na gastronomia e naquele prazer de ocupar uma mesa ao ar livre sem olhar para o relógio.

O centro histórico é um convite para deixar o mapa de lado. A Piazza della Riforma concentra cafés e fachadas elegantes, enquanto a Via Nassa reúne boutiques sob arcadas históricas. Alguns passos adiante, o Parco Ciani oferece jardins, árvores centenárias e uma das vistas mais bonitas do Lago de Lugano.

O cenário ganha ainda mais charme com as palmeiras espalhadas pela orla e as montanhas que parecem abraçar a cidade. Além disso, há também uma conexão literária: foi em Montagnola, nas colinas próximas a Lugano, que o escritor alemão Hermann Hesse viveu parte de sua vida e escreveu Sidarta. Hoje, a região preserva essa história em um museu dedicado ao autor.

Gastronomia em Lugano: dos tradicionais grotti aos vinhos de Ticino

Os tradicionais grotti preservam a gastronomia e a atmosfera rústica de Ticino/ Foto: Milo Zanecchia

Se existe uma boa maneira de entender a identidade de Ticino, ela começa à mesa. Por aqui, os tradicionais grotti são quase uma instituição. Instalados em construções rústicas de pedra, muitas vezes antigas adegas, esses restaurantes preservam receitas regionais e um jeito despretensioso de receber.

No cardápio, polenta, queijos, embutidos e especialidades locais. A experiência pede uma mesa ao ar livre, uma taça de vinho e nenhuma pressa para pedir a conta.

Falando em vinho, a região tem uma relação especial com a Merlot. A uva, famosa pelos tintos de Bordeaux, também dá origem a vinhos brancos em Ticino, uma curiosidade que merece entrar na lista de degustações.

A produção de Merlot é uma das principais tradições vinícolas do cantão de Ticino/ Foto: Milo Zanecchia

Para conhecer essa produção de perto, dois endereços se destacam: Tenuta Castello di Morcote combina vinhedos em terraços, vistas para o lago e um castelo do século XV; e a Fattoria Moncucchetto, em uma colina de Lugano, acrescenta arquitetura à experiência, com uma adega projetada por Mario Botta.

Ambas recebem visitantes mediante reserva. Para quem prefere trocar o ambiente rústico por uma experiência gastronômica mais elaborada, Ticino também reúne restaurantes reconhecidos pelo Guia Michelin.

Roteiro de 3 dias em Lugano: lago, montanhas e vilarejos históricos

A melhor forma de conhecer Lugano é equilibrar os cartões-postais com os pequenos prazeres que aparecem pelo caminho. Um café no centro, uma travessia de barco, uma degustação de vinho ou simplesmente uma tarde contemplando o lago.

Dia 1: Centro histórico de Lugano e o vilarejo de Gandria

Casas coloridas e vielas de pedra em Gandria, Lugano, Suiça/ Foto: Michele Mengozzi

Comece pela Piazza della Riforma, caminhe pela Via Nassa e aproveite a orla do lago. À tarde, embarque rumo a Gandria, um vilarejo de casas coloridas e ruelas estreitas agarradas à encosta. Para completar a experiência, escolha um grotto tradicional, como o San Rocco ou o Cantine di Gandria, que funcionam sazonalmente, de abril a setembro.

Dia 2: Monte Brè, vinícolas e arte em Lugano

O funicular oferece vistas panorâmicas de Lugano e das montanhas ao redor/ Foto: Milo Zanecchia

Pegue o funicular até o Monte Brè, um dos mirantes mais conhecidos da região, e explore o pequeno vilarejo de mesmo nome. Depois, reserve uma visita a uma vinícola para conhecer os rótulos locais. Se ainda houver disposição, termine a tarde no LAC Lugano Arte e Cultura, que reúne exposições, música e apresentações.

Dia 3: Monte San Salvatore, Morcote e compras

O Lago de Lugano é cercado por montanhas e paisagens que revelam o lado mediterrâneo da Suíça/ Foto: Milo Zanecchia

O dia começa no Monte San Salvatore, apelidado de Pão de Açúcar da Suíça por seu formato característico. Depois, siga para Morcote, um dos vilarejos mais charmosos da região, com fachadas históricas, escadarias e restaurantes junto à água. Quem estiver viajando em família pode incluir o Swissminiatur, em Melide. Para os interessados em compras, o outlet FoxTown, em Mendrisio, é uma opção antes do retorno à Itália.

Onde ficar em Lugano: hotéis de luxo e hospedagens à beira do lago

Grand Hotel Villa Castagnola/ Foto: Divulgação

Lugano também sabe receber bem, e isso vale tanto para quem busca uma estadia sofisticada quanto para quem prefere hotéis boutique e endereços menores, próximos ao centro histórico. Entre os clássicos, o Grand Hotel Villa Castagnola e o Hotel Splendide Royal representam o lado mais tradicional da hotelaria local, com localização privilegiada e vistas para o lago.

O Grand Hotel Villa Castagnola combina jardins, tradição e elegância em uma propriedade histórica à beira do lago. Já o Hotel Splendide Royal aposta na hospitalidade clássica, com ambientes sofisticados e uma localização privilegiada para explorar a cidade.

Para quem pretende conhecer a região de trem, escolher uma hospedagem bem conectada ao transporte público pode ser uma decisão tão interessante quanto reservar um quarto com vista.

De Lugano a Milão e ao Lago de Como: dois países na mesma viagem

Uma das maiores vantagens de Lugano é justamente sua localização. A cidade permite combinar dois países em uma única viagem, sem a necessidade de embarcar em outro avião. Milão fica a pouco mais de uma hora de trem, enquanto Como pode ser alcançada em aproximadamente 35 a 45 minutos, dependendo do serviço ferroviário.

Isso significa que é perfeitamente possível passar o dia explorando o Lago de Como e voltar à Suíça para jantar. Ou fazer o contrário: incluir Lugano como uma parada de alguns dias durante uma viagem pelo norte italiano.

É o tipo de combinação que funciona especialmente bem para quem gosta de aproveitar diferentes destinos sem transformar as férias em uma maratona de malas e check-ins.

Como chegar a Lugano, quando ir e quantos dias ficar

Restaurantes junto à água convidam a descobrir os sabores tradicionais da região/ Foto: Davide Adamoli

Como chegar a Lugano: de trem, a partir de Milão, em pouco mais de uma hora. Outra possibilidade é chegar por Zurique e seguir de trem até Lugano, em aproximadamente duas horas.

Melhor época para visitar Lugano: primavera e outono são excelentes para caminhadas, passeios ao ar livre e visitas às vinícolas. No verão, a agenda cultural e os festivais movimentam a região. A cidade também pode ser visitada no inverno, embora algumas atrações tenham funcionamento sazonal.

Quantos dias ficar em Lugano: três dias e duas noites são um bom começo. Com quatro ou cinco dias, vale incluir passeios mais longos pelos arredores e pelo norte da Itália. Mais informações estão disponíveis no site oficial de Lugano.